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Lula diz que América Latina deve se inspirar na integração da União Europeia

O presidente do Brasil afirmou que a região está passando por "um dos momentos de maior retrocesso" em termos de união.
Lula diz que América Latina deve se inspirar na integração da União EuropeiaX / @LulaOficial

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quarta-feira (28) que a América Latina e o Caribe devem tomar a União Europeia (UE) como uma "referência positiva" de integração.

"Devemos olhar para a União Europeia como uma referência positiva, mas sem ignorar todas as diferenças históricas, econômicas e culturais", afirmou o presidente na segunda edição do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, realizado no Panamá.

Durante o evento, também conhecido como o "Davos latino-americano", Lula destacou que a região está vivendo "um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração".

"Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria. Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham. As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano", declarou, ao falar do declínio da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que, em sua opinião, "sucumbiu ao peso da intolerância que impediu a convivência de visões diferentes".

Celac 'paralisada'

Em meio a esse panorama, o presidente explicou que a única organização que engloba todos os países da região é a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e que, em sua opinião, atualmente "está paralisada".

"A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região. Não fomos capazes de enfrentar de forma coordenada desafios sistêmicos como a Covid-19. Avançamos lentamente no combate ao crime organizado transnacional. O enfrentamento do aquecimento global ainda padece de ação coletiva mais robusta e mais forte", reclamou.

Lula insistiu que todos esses desafios "recolocam a questão do modelo de regionalismo possível para a América Latina e o Caribe". Nesse sentido, ele mencionou que a região conta com ativos políticos e econômicos que podem dar concretude ao impulso integracionista.

No entanto, o presidente brasileiro reconheceu que parte do que tem freado isso é, entre outras coisas, o peso das identidades nacionais, que inviabiliza a curto prazo qualquer projeto de magnitude semelhante ao europeu; e que os líderes regionais carecem de convicção sobre os benefícios de adotar um projeto mais autônomo de inserção internacional.

"A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calçada na polaridade de opções. Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém. Seguir divididos nos torna todos mais frágeis", enfatizou em seu discurso.