A alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, alertou na quarta-feira (28) que a defesa europeia tem de "se adaptar às novas realidades" para poder sobreviver num ambiente marcado pelo auge da política de coerção e pela crescente incerteza sobre o compromisso dos Estados Unidos com suas alianças europeias.
Durante seu discurso na Conferência Anual da Agência Europeia de Defesa, a chefe da diplomacia europeia defendeu a necessidade de reforçar um pilar europeu de defesa dentro da OTAN e de aprofundar as alianças do bloco.
Referindo-se às tensões políticas que têm limitado a cooperação, Kallas insistiu que, "especialmente agora que os EUA estão voltando sua atenção para fora e para além da Europa, a OTAN deve se tornar mais europeia para manter sua força". "E, para isso, a Europa deve agir", afirmou.
"Sejamos claros: queremos laços transatlânticos fortes. Os EUA continuarão sendo parceiros e aliados da Europa. Mas a Europa precisa se adaptar às novas realidades. A Europa já não é o principal centro de gravidade de Washington", sublinhou Kallas, acrescentando que esta mudança já está em curso há algum tempo, pelo que não é algo temporário, mas sim "estrutural".
"Significa que a Europa deve intensificar os seus esforços: nenhuma grande potência na história externalizou a sua sobrevivência e sobreviveu", enfatizou.
Novas realidades
Além disso, ela pediu a sincronização dos esforços com a OTAN para garantir que as iniciativas de segurança e defesa da UE continuem sendo "complementares", ao mesmo tempo em que solicitou à aliança que compartilhasse melhor suas necessidades e objetivos. "Quanto mais informações a OTAN fornecer, melhor poderemos nos alinhar", declarou.
Kallas afirmou que os 23 países que pertencem tanto à UE como à Aliança Atlântica têm uma "responsabilidade especial" de garantir a coerência entre ambas as estruturas e demonstrar "como um pilar europeu distinto acrescenta valor através de uma maior repartição de encargos e de uma maior força militar" no continente.
Para além da OTAN, salientou que as parcerias bilaterais da UE se tornaram "uma ferramenta valiosa não só em matéria de segurança e defesa, mas também em questões mais amplas de política externa".
- O pedido para que a UE tenha suas próprias capacidades militares foi criticado por alguns na Europa, incluindo o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, que disse na segunda-feira (26) aos eurodeputados em Bruxelas que a Europa deve "continuar sonhando" se acredita que pode se defender sem a ajuda dos Estados Unidos.