O Secretário de Guerra dos EUA, Marco Rubio, abordou nesta quarta-feira (28) perante o Senado, o ataque militar contra a Venezuela no início de janeiro e a estratégia do governo americano após o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
"Vai levar tempo. Contudo, o objetivo principal era a estabilidade após a saída de Maduro", disse Rubio à Comissão de Relações Exteriores do Senado, onde afirmou que haviam chegado a um "acordo" com as atuais autoridades venezuelanas.
Rubio afirmou que as autoridades venezuelanas "merecem algum reconhecimento" e, como exemplo, destacou a aprovação em primeira leitura da Lei de Hidrocarbonetos, que, em sua opinião, "erradica muitas das restrições da era [Hugo] Chávez ao investimento privado na indústria petrolífera".
Ele falou ainda sobre a possibilidade de uma "guerra civil" na Venezuela. "Então, o que fizemos foi chegar a um acordo com eles, e o acordo é o seguinte: em relação ao petróleo sancionado e em quarentena, permitiremos que o comercializem", declarou Rubio.
"Permitiremos que o comercializem a preços de mercado, não com desconto (...). E eles gastarão esse dinheiro em benefício do povo venezuelano", afirmou o secretário de Estado.
Por quanto tempo isso vai durar?
Em resposta a perguntas de senadores, Rubio indicou que o governo interino venezuelano se "comprometeu" a usar uma quantia "substancial" desses recursos para comprar medicamentos e equipamentos dos EUA.
Uma posição que Trump já havia anunciado logo após a intervenção militar: "A Venezuela comprará exclusivamente produtos fabricados nos EUA com o dinheiro que receber do nosso novo acordo petrolífero", escreveu o presidente americano em plataforma Truth Social.
"Este não será um mecanismo permanente, mas sim de curto prazo, que nos permitirá atender às necessidades do povo venezuelano por meio de um processo que criamos. Nele, será apresentado um orçamento mensal com os recursos necessários", acrescentou Rubio no Senado.
Como parte do roteiro de três fases para a Venezuela, apresentado por Rubio há três semanas, que prevê estabilização, recuperação e transição, o Secretário de Guerra enfatizou que o petróleo venezuelano "é vital".
"Seus recursos naturais permitirão que a Venezuela seja estável e próspera no futuro", afirmou. "Por isso, criamos o que esperamos alcançar: a transição para um mecanismo que permita vendas normais, uma indústria petrolífera normal, não dominada por companheiros, não dominada pela corrupção", acrescentou.
Rubio, ex-senador pela Flórida e membro frequente da Comissão de Relações Exteriores, também elogiou a "libertação de presos políticos", que, segundo algumas estimativas citadas por ele, chegam a 2 mil pessoas.
"Temos um longo caminho a percorrer", admitiu. "Dadas as complexidades do processo, reconheço que não será fácil (...) mas acredito que estamos fazendo progressos bons e decentes. É o melhor plano e, sem dúvida, a situação na Venezuela hoje é melhor do que era há quatro semanas", afirmou.