Lula alerta para 'mudanças geopolíticas' e pede maior integração na América Latina

Em discurso no Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, o presidente brasileiro apontou para desafios internos e destacou a necessidade do multilateralismo.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participa nesta quarta-feira (28) do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe 2026, no Panamá.

Em discurso, Lula pontuou a importância do fórum e destacou as "mudanças geopolíticas", especialmente as que afetam a "América Latina e o Caribe".

Na fala, o mandatário classificou a situação geopolítica atual como um dos momentos de maior retrocesso nos avanços firmados em acordos anteriores, que estabeleceram "ideias como soluções de paz, independência política e integridade territorial dos Estados".

O presidente brasileiro criticou ainda a política "dividida" da América Latina, que tende a focar mais no exterior do que em assuntos internos, segundo ele.

Lula afirmou ainda que a CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), "está paralizada" e não consegue "nem mesmo publicar uma declaração conjunta e coordenada" sobre "intervenções estrangeiras" em países da região.

O mandatário criticou, sem citar países, que ataques militares jamais contribuirão com o "caminho da paz".

"A única guerra de que nossa região precisa é aquela contra a fome", afirmou.

Superar diferenças ideológicas

No discurso, o presidente pediu ainda que um "impulso integracionista" seja colocado em prática entre os países da América Latina, destacando o potencial econômico da região.

"A América Latina é única. Podemos superar diferenças ideológicas e fortalecer parcerias dentro e fora da região. Nenhum país sozinho da América Latina vai conseguir resolver os problemas da região sozinho", afirmou.

Lula destacou que o Brasil "seguiu o caminho da paz, do multilateralismo e da integração reginal". Em 2025, citou, Brasília bateu recordes de importação e exportação. Segundo o presidente, o resultado é fruto de "um novo modelo de inclusão e sustentabilidade".

"Desde 2023, buscamos diversificar nossos parceiros", disse, comentando sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia.

Lula informou ainda que deve ampliar tratativas com Canadá, México, República Dominicana, Equador, Panamá e Emirados Árabes Unidos.

Canal do Panamá

No discurso, o presidente destacou a posição brasileira sobre a independência do Canal do Panamá, afirmando que a região sempre "funcionou" de maneira "responsável e segura há quase três décadas".

Como o Canal do Panamá moldou o comércio global? Entenda em nosso artigo.

O evento

O encontro é realizado na Cidade do Panamá de 27 a 30 de janeiro, incluindo diversas atividades concomitantes ao Fórum Econômico, conduzido nos dias 28 e 29.

Partindo de uma iniciativa do CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, em colaboração com o governo do Panamá, o evento visa reunir líderes empresariais, especialistas e influenciadores para analisar os principais desafios da região.

Agenda de discussões

A programação é vista como uma oportunidade para destacar o dinamismo e a capacidade de inovação da América Latina e do Caribe, e para consolidar a região como uma fonte de soluções para desafios globais. Além dos temas gerais do fórum, a discussão entre os líderes da região se concentrará em infraestrutura e desenvolvimento, inteligência artificial, comércio, energia, mineração e segurança alimentar.

A agenda do presidente Lula registra reuniões bilaterais e encontros com outros presidentes, incluindo representantes do Equador, Guatemala, Bolívia, Chile e Jamaica, que já confirmaram sua participação.

Além disso, é prevista a assinatura de um acordo de cooperação entre o Brasil e o Panamá, visando fortalecer investimentos, ampliar o comércio e aprimorar a logística entre os dois países.