Meta é acusada de expor menores a 'chatbots' sexuais

O chefe da empresa, Mark Zuckerberg, queria agir "menos restritivo" e permitir conversas de menores com IA sobre relações sexuais, com base na "escolha, e não na censura".

A Meta Platforms*, operadora do Facebook, Instagram e WhatsApp, permitiu que menores de idade pudessem acessar "chatbots" de inteligência artificial (IA) capazes de manter interações sexuais. A autorização foi dada pelo diretor executivo da empresa, Mark Zuckerberg.

É o que revelam documentos internos de uma ação judicial contra a empresa apresentada no Novo México (EUA), citados pela agência Reuters na quarta-feira (28).

A ação acusa a empresa de não restringir material sexual prejudicial e propostas indecentes a menores de 18 anos no Facebook e no Instagram.

Os documentos, obtidos por meio de descoberta legal, revelam que a Meta rejeitou as recomendações de sua equipe de integridade e evitou medidas de segurança contra a exploração sexual, com "chatbots" lançados em 2024.

Um documento de fevereiro daquele ano, citado pela mídia, indica que Zuckerberg queria ser "menos restritivo", permitir conversas picantes sobre sexo e basear-se na "escolha, e não na censura" nas plataformas que sua empresa desenvolve. Em março, funcionários apontaram que ele rejeitou controles parentais e permitiu chatbots românticos para menores de 18 anos, apesar das objeções internas.

Após uma série de críticas, incluindo relatos sobre chatbots com personagens menores sexualizados, a Meta* eliminou na semana passada o acesso de adolescentes a essa IA, enquanto aguarda uma nova versão.

*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.