'Não tem direito de interferir': Pequim comenta provocações de Tóquio sobre Taiwan

O porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, instou o governo japonês a respeitar acordos bilaterais e a pôr "fim à sua manipulação e ações imprudentes".

As declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, de que Tóquio apoiaria as tropas americanas em um potencial conflito em Taiwan representam uma séria ameaça à paz e à estabilidade regional, afirmou na terça-feira (27) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun.

Guo observou que ambos os países assinaram diversos tratados e acordos que representam "compromissos políticos que o Japão deve cumprir rigorosamente e obrigações legais que não deve descumprir", nos quais Tóquio reconhece Taiwan como parte da China e se compromete a limitar seu poderio militar e seu direito de participar de conflitos.

"As alegações do Japão de que age dentro da lei, enquanto interfere repetida e flagrantemente nos assuntos internos da China, chegando até a recorrer a ameaças militares, são completamente contraditórias", disse Guo em uma coletiva de imprensa.

Histórico conflituoso

O porta-voz recordou do passado colonial do Japão sobre Taiwan, cujo domínio durou meio século, durante o qual foram cometidos inúmeros crimes hediondos. Guo enfatiza que o Japão tem uma grave responsabilidade histórica perante o povo chinês. "Legal e historicamente, o Japão não tem o direito de interferir nos assuntos relacionados a Taiwan", continuou.

Nesse sentido, ele afirmou que as recentes declarações do governo japonês "demonstram mais uma vez o desejo das forças de direita de provocar antagonismo, criar problemas e aproveitar a oportunidade para remilitarizar ainda mais o Japão e desafiar a ordem internacional pós-guerra", o que representa uma "grave ameaça à paz e à estabilidade regional, bem como aos fundamentos políticos das relações sino-japonesas".

Seu apelo à comunidade internacional para que "permaneça vigilante e se oponha resolutamente a tais ações" acompanhou o enquadro às autoridades japoneses para "respeitar o espírito" dos acordos bilaterais, atuando no sentido de "cumprir seus compromissos políticos", "corrigir seus erros" e "pôr fim à sua manipulação e ações imprudentes".

Conflito crescente entre Tóquio e Pequim