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WSJ: importantes aliados dos EUA se recusam a ajudar em um possível ataque contra Irã

As recusas representam um duro golpe na política externa de Washington, que busca aumentar a pressão sobre Teerã.
WSJ: importantes aliados dos EUA se recusam a ajudar em um possível ataque contra IrãGettyimages.ru / Luke Sharrett

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos descartaram o uso de seu espaço aéreo e território para uma potencial ofensiva militar dos EUA contra o Irã, reduzindo as opções do governo Trump, informou o The Wall Street Journal na terça-feira (27).

As declarações dos dois países do Golfo representam um duro golpe na política externa de Washington, que busca aumentar a pressão sobre Teerã. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman delineou a posição da Arábia Saudita em um telefonema com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian. De acordo com um comunicado de Riad, o príncipe enfatizou que o seu reino "não permitirá que seu espaço aéreo ou território seja usado para qualquer ação militar contra o Irã".

A Arábia Saudita teme ser arrastada para um novo conflito com seu vizinho, que já atacou instalações petrolíferas em 2019 durante o primeiro mandato de Trump. Analistas observam que, embora Riad e Abu Dhabi estejam interessados ​​em enfraquecer o Irã, os dois temem a desestabilização regional e uma possível retaliação iraniana.

Enquanto isso, ex-líderes militares dos EUA reconhecem que a decisão da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos complica o planejamento operacional, aumentando os custos e a complexidade, mas isso não impedirá uma ação de Washington, que passará a utilizar mais o porta-aviões USS Abraham Lincoln, aeronaves estacionadas na Jordânia e bombardeiros de longo alcance ou bases militares americanas em Diego Garcia, no Oceano Índico.

Um porta-voz da Casa Branca afirmou que o governo está "monitorando a situação de perto" e considerando "todas as opções caso Teerã execute manifestantes".

A recusa vem mesmo apesar dos laços estreitos que Trump mantém com Mohammed bin Salman, a quem prometeu fornecer caças F-35 e ampliar o acesso à tecnologia americana de inteligência artificial.

  • O presidente Donald Trump não descartou a possibilidade de um ataque militar contra o Irã com o objetivo de provocar uma mudança de regime, que é acusado por Washington de reagir com violência às manifestações antigovernamentais e de desenvolver armas nucleares.
  • O Irã nega o caráter militar de seu programa nuclear e responsabiliza os países ocidentais pelas mortes durante os protestos, acusando-os de infiltrar terroristas entre os manifestantes.