Nem a Groenlândia nem a Dinamarca teriam "qualquer problema" com o estabelecimento de uma missão permanente da OTAN na ilha para reforçar a segurança do Ártico, afirmou a ministra da Groenlândia para Empresas, Comércio, Recursos Minerais, Justiça e Igualdade de Gênero, Naaja Nathanielsen, em uma entrevista para o USA Today, publicada na segunda-feira (26).
"Acreditamos que seria uma boa solução", disse ela em entrevista ao USA TODAY. Ela reiterou, contudo, que "ceder soberania não está em discussão por enquanto" para o território autônomo dinamarquês no Ártico.
Nesse sentido, reiterou que as tentativas do presidente dos EUA, Donald Trump, de transformar as bases militares americanas na ilha em território soberano dos EUA constituem uma transgressão de uma "linha vermelha".
Território na mesa de discussão
Suas declarações vêm após Trump e o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, discutirem uma estrutura para um "futuro acordo" sobre a Groenlândia e toda a região do Ártico, anunciada durante o Fórum Econômico Mundial em Davos.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, ecoou esse sentimento na semana passada, indicando sua disposição de ir além no fortalecimento da defesa da ilha ártica, incluindo a possível criação de uma missão permanente da OTAN. "Estamos prontos para discutir mais. Também estamos prontos para fazer mais, e para fazê-lo de forma mais permanente", disse ele a repórteres em Nuuk.
Ele igualmente enfatizou, porém, que a soberania do território é um limite intransponível. "Nossa integridade, nossas fronteiras e o direito internacional são definitivamente uma linha vermelha que não queremos que ninguém cruze", explicou.
- Donald Trump tem insistido há meses que os Estados Unidos devem ter controle sobre a Groenlândia por razões de segurança internacional. Seu governo não descartou a possibilidade de usar a força militar, se necessário, para tomar a ilha, que é um dos três territórios constituintes do Reino da Dinamarca, membro da OTAN.