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Dario Durigan deve assumir o Ministério da Fazenda no lugar de Haddad

Atual secretário-executivo é conhecido por perfil discreto e conciliador.
Dario Durigan deve assumir o Ministério da Fazenda no lugar de HaddadDiogo Zacarias/MF

Dario Durigan, atual secretário-executivo e ''número 2'' do ministério da Fazenda, deve substituir Fernando Haddad no comando da pasta. As informações foram publicadas nesta terça-feira (27) pelo portal g1.

Segundo o veículo, o ''martelo está batido'' para a sucessão. Para o posto de secretário-executivo, deve ser indicado Rogério Ceron, atual secretário do Tesouro Nacional e um dos pais do arcabouço fiscal.

Mais cedo, a agência Reuters havia publicado informações semelhantes, mas se limitou a afirmar que os nomes citados eram a preferência de Haddad e ainda precisariam ser discutidos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Haddad deixará o cargo para colaborar com a campanha pela reeleição do presidente Lula. Segundo o g1, ele não pretende disputar a eleição, apesar do interesse de Lula para que ele concorra ao governo do estado de São Paulo.

Quem é Durigan?

Tido como discreto e de perfil conciliador, Dario Durigan é visto por interlocutores do governo como um quadro técnico com trânsito entre diferentes áreas da administração pública. Segundo apuração do portal InfoMoney, ele é reconhecido pelo domínio na formulação de políticas públicas e pela capacidade de articulação institucional.

Pessoas próximas afirmam que, apesar de não ter formação em Economia, Durigan acumulou experiência suficiente ao longo da carreira para atuar na coordenação da agenda econômica e administrativa da Fazenda.

Antes de integrar a equipe de Fernando Haddad, Durigan ganhou projeção ao atuar como head de Políticas Públicas do WhatsApp* no Brasil, cargo criado em 2020, em meio ao debate sobre desinformação no país. À época, ele afirmou que as eleições brasileiras eram "as mais importantes do mundo" para a companhia e que mantinha "contato constante com autoridades brasileiras para atuar contra a desinformação", conforme declarou ao Estadão.

Durante sua passagem pela empresa, foram implementadas medidas como limites ao encaminhamento de mensagens, avisos de conteúdo reenviado e parcerias com veículos de imprensa para checagem de informações.

A atuação no setor privado, no entanto, gerou resistência em parte da bancada petista na Câmara, sobretudo por sua posição no debate do PL das Fake News. Em audiências públicas, Durigan representou o WhatsApp e sustentou que alguns dispositivos do projeto configuravam "uma intervenção muito ampla no modelo de negócios da empresa", argumento que, segundo ele, poderia afetar negativamente o serviço aos usuários.

Ainda assim, no governo, aliados avaliam que seu perfil técnico e conciliador pesa a favor em um momento de transição sensível no comando da Fazenda.

*Rede social que integra a Meta, conglomerado classificado na Rússia como uma organização extremista.