Estados Unidos alertam que Canadá sofrerá consequências se não comprar mais caças americanos

Um desfalque nas capacidades responsivas do Canadá levaria a uma reconsideração do acordo de defesa aérea conjunta entre os países, afirmou o embaixador americano no país.

O embaixador dos Estados Unidos no Canadá, Pete Hoekstra, advertiu na segunda-feira (26), em entrevista exclusiva à emissora pública canadense CBC, que o acordo de defesa aérea conjunta entre os dois países, o NORAD, teria que ser reavaliado e modificado se as autoridades canadenses decidirem não finalizar a compra de 88 caças F-35.

Hoekstra explicou que o esquema atual do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD), vigente há décadas, funciona com base na interceptação de ameaças pela aeronave mais próxima, autorizando operações de resposta imediata no território vizinho.

Se o Canadá não ampliar seu pedido além das 16 aeronaves F-35 já encomendadas, indica o embaixador, os Estadoos Unidos seriam forçados a adquirir mais caças para sua própria força aérea e a operá-los com muito mais frequência no espaço aéreo canadense para proteger sua fronteira norte.

A escolha do Canadá pela alternativa sueca, o caça Gripen, exigiria uma "revisão" do acordo. Ele classificou o Gripen como "um produto inferior" ao F-35, argumentando que essa diferença tecnológica "mudaria nossa capacidade de defesa" e obrigaria os Estados Unidos a compensar a deficiência.

Reação de especialistas

Um alto oficial de defesa do Canadá, citado anonimamente pela reportagem, indicou que as declarações de Hoekstra são "claramente uma tática de pressão política para forçar o governo canadense a tomar uma decisão." 

Já o ex-assessor de segurança nacional Vincent Rigby viu nas palavras de Hoekstra "um comentário espontâneo" que "não deve ser tomado como verdade absoluta do governo [Trump] ou do Pentágono".