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Autoridades dos EUA revelam condições do acordo que impõem a Irã

"Eles querem fazer um acordo. Eu sei disso. Eles ligaram várias vezes. Eles querem conversar", afirmou Trump.
Autoridades dos EUA revelam condições do acordo que impõem a IrãGettyimages.ru / Win McNamee / Staff

Os protestos do Irã que explodiram nos finais do ano 2025 suscitaram uma ameaça explícita do presidente dos Estados Unidos, que prometeu uma "ação muito severa" e recusou excluir a probabilidade de uso da força militar. O veículo americano de imprensa Axios, em uma entrevista com Trump publicada na segunda-feira (26), revelou os termos de um potencial acordo com as autoridades de Washington. 

Segundo a agência, as condições delineadas por Trump diante da República Islâmica do Irã são seguintes: 

  • a remoção de todo o urânio enriquecido do Irã;
  • a proibição do enriquecimento independente de urânio no país.
  • um limite para o estoque de mísseis de longo alcance;
  • uma mudança na políticade assistência em conflitos por procuração na região.

O presidente americano sublinha o compromisso das autoridades iranianas a "chegar a um acordo", mas não comenta se os líderes do país perso concordam com as exigências norte-americanas. 

"Eles querem chegar a um acordo. Eu sei disso. Nos chamaram em numerosas ocasiões. Querem conversar", afirmou Trump. 

Reserva de soberania

A exigência de "enriquecimento zero" dos EUA entra em conflito com a defesa iraniana de seus direitos soberanos. Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU em dezembro do ano passado, o representante permanente do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, rejeitou as condições e acusou os EUA de não buscarem uma negociação justa.

"Apreciamos qualquer negociação justa e significativa, mas insistir em uma política de enriquecimento zero é contrário aos nossos direitos como membro do TNP [Tratado de Não Proliferação Nuclear] e significa que eles não estão buscando uma negociação justa", declarou. Iravani acrescentou que "o Irã não cederá a nenhuma pressão ou intimidação".

As negociações para reviver o acordo nuclear JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global, 2015), do qual Washington se retirou unilateralmente em 2018, permanecem paralisadas desde junho, quando os EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra as instalações nucleares de Fordo, Natanz e Isfahan, descritos como "ataques preventivos".

O Irã, que insiste no caráter pacífico de seu programa, anunciou que não interromperá o enriquecimento de urânio. A ameaça de Washington de possíveis novos ataques se o Irã reativar suas instalações nucleares acrescenta outro elemento de tensão.