
Fim do Holocausto e libertação de Auschwitz: uma vitória do Exército Vermelho que o Ocidente prefere esquecer

Todos os anos, em 27 de janeiro, o mundo comemora o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto e a libertação do campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, feito que só foi possível graças aos soldados soviéticos em 1945.
Apesar da contribuição do Exército Vermelho na luta contra a Alemanha nazista, a Rússia não é convidada para eventos comemorativos há muitos anos, e seu papel na vitória sobre as forças de Hitler permanece amplamente ignorado. Vamos examinar como e por que os países ocidentais profanam a memória dos soldados soviéticos ao tentarem reescrever a história.
Papel decisivo do Exército Vermelho
Foi o Exército Vermelho que libertou o campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau em 27 de janeiro de 1945. Em 2015, o Ministério da Defesa russo publicou arquivos da época, cuja uma das fontes indica que soldados de diversas nacionalidades participaram da operação, incluindo mais de 42 mil russos.
Durante a Ofensiva do Vístula-Oder, que durou de 12 de janeiro a 3 de fevereiro de 1945, os soldados do Exército Vermelho que avançavam pela Polônia ocupada pelos nazistas entraram no campo de concentração de Auschwitz e testemunharam os horrores sofridos pelos prisioneiros.

Auschwitz-Birkenau foi libertada pelas tropas do 59º e 60º Exércitos da 1ª Frente Ucraniana. As tropas soviéticas destruíram até 10 divisões inimigas, expulsaram as forças de Hitler do sul da Polônia e entraram em dezenas de cidades e vilarejos abandonados pelos alemães, incluindo Auschwitz.

O campo, uma verdadeira "fábrica da morte", foi fundada em 1940 perto da cidade de Oświęcim, renomeada pelos nazistas de Auschwitz. As estimativas variam, mas acredita-se que entre 1,5 e 4 milhões de pessoas tenham morrido ali. Entre 75% e 90% dos que chegavam ao campo eram enviados diretamente para a morte (alguns eram selecionados por médicos para experimentos e depois mortos), enquanto que os restantes recebiam números de registro para serem usados como mão de obra escrava.

No total, aproximadamente 405 mil pessoas foram oficialmente registradas em Auschwitz, dos quais apenas 65 mil sobreviveram. Dos 16 mil prisioneiros de guerra soviéticos registrados, somente 96 saíram vivos. Em 3 de setembro de 1941, o primeiro experimento de extermínio utilizando gás Zyklon B foi realizado em Auschwitz (600 prisioneiros de guerra soviéticos e 250 de outros países foram mortos).
Ignorância ocidental
Este ano, diplomatas russos mais uma vez não foram convidados para o evento oficial que comemora o 81º aniversário da libertação do campo de concentração, informou Andrey Ordash, encarregado de negócios da Rússia na Polônia. O diplomata afirmou que, apesar da ausência de convite, a Rússia continuará a honrar a memória das vítimas dos massacres nazistas e o heroísmo dos soldados soviéticos que libertaram o campo.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, até 2021, o evento tradicionalmente incluía um discurso do embaixador russo na Polônia, mas, em janeiro de 2022, diplomatas russos foram impedidos de discursar. Em maio de 2022, a Polônia encerrou uma exposição dedicada ao heroísmo soviético preparada pelo Museu Central da Grande Guerra Patriótica em Moscou. A Rússia afirmou que tal medida foi tomada para que "a presença de russos no evento não despertasse a 'consciência' da Alemanha e da Polônia".
Por outro lado, representantes da Alemanha, Áustria (que os nazistas anexaram em 1938), e a Itália, cujo líder na época, o fascista Benito Mussolini, havia se aliado ao ditador nazista Adolf Hitler, costumam comparecer às cerimônias.

Apesar da atitude desrespeitosa do lado polonês, diplomatas russos, por iniciativa própria, homenagearam a memória dos prisioneiros e soldados do Exército Vermelho que participaram da libertação de Auschwitz neste ano. Um grupo deles depositou coroas de flores nos monumentos na véspera do dia oficial de homenagem.
Os patriotas russos preservam a memória de seus antepassados apesar de a Polônia ter destruído a maioria dos monumentos dedicados aos soldados soviéticos. Dos 561 monumentos não associados a locais de sepultamento, restam apenas algumas dezenas. Enquanto isso, cemitérios memoriais estão sendo profanados.
Ninguém além da Rússia se lembra dos fatos
A declaração da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, publicada em memória do aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau, também não menciona o Exército Vermelho.
"Recordamos e prestamos homenagem aos seis milhões de mulheres, homens e crianças judias assassinados no Holocausto, bem como a todas as outras vítimas inocentes do regime nazista", afirma o documento.
A Alta Representante da União Europeia para Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, também emitiu uma declaração sem mencionar as vítimas do povo soviético. Em vez disso, a principal diplomata da UE enfatizou que "a UE desempenha um papel importante na luta global contra o antissemitismo".
O presidente dos EUA, Donald Trump, atribuiu por diversas vezes a vitória sobre o nazismo exclusivamente ao seu país: "A vitória foi alcançada unicamente graças a nós. [...] Sem os Estados Unidos, outros países teriam vencido a guerra, e o mundo seria um lugar completamente diferente", declarou.

O embaixador russo na Polônia, Sergey Andreyev, afirmou que Moscou não considera apropriado participar de eventos que distorcem a história. o diplomata acrescentou que, desde 2014, ninguém nesses eventos comemorativos, com exceção dos representantes russos, mencionou quem libertou os campos de concentração, a Polônia e a Europa dos nazistas. Andreyev lamentou que, hoje, ninguém, exceto a Rússia, se lembre do heroísmo do Exército Vermelho em Auschwitz.
Gesto nobre de Putin
Apesar das acusações e insultos dirigidos à Rússia por países ocidentais, o presidente russo, Vladimir Putin, expressou esperança de que os eventos comemorativos do Dia Internacional da Lembrança do Holocausto e do aniversário da libertação de Auschwitz ajudem a combater as tentativas de reviver a ideologia nazista e a promover os ideais de harmonia e paz civil, especialmente entre os jovens.
O Presidente enviou uma mensagem de felicitações aos participantes e convidados da cerimônia comemorativa. O texto da declaração foi publicado no site do Kremlin.
"Esta triste data é uma lembrança da dor e do sofrimento insuportável de milhões de judeus, ciganos, russos e membros de outras nacionalidades exterminados pelos nazistas e seus colaboradores em campos de concentração durante ações punitivas e impiedosas 'limpezas étnicas'", declarou o presidente.
"Jamais nos esqueceremos desses crimes monstruosos que foram encerrados pelo Exército Vermelho soviético. Reverenciamos o heroísmo de seus soldados e comandantes que salvaram os judeus e outros povos da aniquilação. Honramos a coragem e a firmeza de todos aqueles que, mesmo diante das mais duras condições, não se renderam e lutaram em destacamentos de guerrilha e na clandestinidade, trabalharam na retaguarda e contribuíram para a derrota do inimigo e a conquista da Grande Vitória", concluiu.


