Cerco de Leningrado: um dos episódios mais brutais da Segunda Guerra Mundial

Nesta terça-feira, faz exatos 82 anos que teve fim um dos cercos mais longos e cruéis da história das guerras, quando a cidade de Leningrado foi cercada pelos nazistas por 872 dias, levando à morte de quase um milhão de pessoas.

O Cerco de Leningrado (atual São Petersburgo) foi o mais brutal e mortal da Segunda Guerra Mundial e um dos mais longos da história da humanidade. O bloqueio nazista à cidade começou em 8 de setembro de 1941 e durou até 27 de janeiro de 1944.

Na época, mais de 2,5 milhões de pessoas permaneceram na cidade, incluindo 400 mil crianças. De acordo com os números apresentados nos Julgamentos de Nuremberg, 632 mil pessoas morreram durante os 872 dias de cerco, mas outras estimativas apontam para um número de mortos superior a um milhão. Apenas 3% das vítimas fatais do cerco morreram por conta dos bombardeios alemães, enquanto que o restante pereceu de fome.

O cerco começa

Os nazistas entraram na região de Leningrado em julho de 1941. A linha defensiva estabelecida pelas tropas soviéticas nos primeiros dias da guerra retardou o avanço inimigo por quase um mês e deu aos defensores da cidade a oportunidade de fortalecer suas defesas.

No entanto, apesar dos esforços do Exército Vermelho, os alemães e seus aliados finlandeses continuaram a sitiar a cidade em várias direções e, em 2 de setembro, cortaram a última linha férrea que ligava Leningrado ao resto da URSS. Em menos de uma semana, a cidade estava completamente cercada. Restava apenas uma rota — através do Lago Ladoga congelado, conhecida como a "Estrada da Vida", mas os suprimentos entregues à cidade eram insuficientes para alimentar a população.

"Apagar Leningrado da face da Terra"

Em 1941, Adolf Hitler declarou que Leningrado, o berço da Revolução Bolchevique e um símbolo da cultura russa, deveria ser completamente destruída e apagada do mapa.

Fome

Embora no início do bloqueio a maioria das pessoas tenha morrido por conta dos bombardeios, a fome ceifaria o maior número de vidas nos meses seguintes. Em 12 de setembro, foi realizado um inventário de todos os suprimentos alimentares da cidade, revelando que os estoques de pão, grãos e carne durariam de 30 a 35 dias; gorduras, 45 dias; açúcar e doces, 60 dias.

A partir de 20 de novembro, como resultado de uma quinta redução nas rações, os operários passaram a receber 250 gramas de pão por dia, e o restante da população, 125 gramas. A verdadeira tragédia da fome começou a partir daí.

Casos de desmaios por fome e mortes por exaustão tornaram-se frequentes. O transporte aéreo de suprimentos alimentares era praticamente impossível, e o gelo no Lago Ladoga era muito fino para suportar o tráfego de veículos.

Cabe ressaltar que, apesar das circunstâncias terríveis em que a população da cidade vivia, os moradores construíram mais de 4.100 fortes e bunkers, equiparam cerca de 22.000 posições de tiro em edifícios e instalaram mais de 35 quilômetros de barricadas e obstáculos antitanque nas ruas. Os operários produziram e repararam cerca de 2.000 tanques, 1.500 aviões, 850 navios de guerra e embarcações de diversas classes, entre outros armamentos.

Libertação da cidade

As tropas soviéticas fizeram quatro tentativas frustradas de romper o Cerco de Leningrado. O sucesso só foi alcançado em janeiro de 1943, quando as principais forças alemãs se concentraram em Stalingrado para lançar a Operação Iskra. Em 18 de janeiro de 1943, o Exército Vermelho conseguiu abrir um corredor de 10 quilômetros, permitindo o restabelecimento das linhas de suprimento da cidade.

A cidade foi completamente libertada em 27 de janeiro de 1944 quando, após duas semanas de combates intensos, o Exército Vermelho rompeu o cerco nazista e repeliu os alemães de 60 a 100 quilômetros para longe da cidade.

Os atos heroicos do povo de Leningrado tornaram-se um exemplo de coragem e resiliência. Em 22 de dezembro de 1942, foi instituída a medalha "Pela Defesa de Leningrado", concedida a aproximadamente 1,5 milhão de pessoas. Em 1965, Leningrado recebeu o título honorário de Cidade Heroica.