Delcy Rodríguez anuncia que Venezuela registrou 'pico mais alto nas reservas de petróleo'

A presidente encarregada do país firmou que Caracas é "atraente e segura para investimentos, dentro de um quadro de segurança jurídica". No mesmo pronunciamento, Rodríguez disse que "o povo da Venezuela não aceita ordens de nenhum fator externo".

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta segunda-feira (26) que, após 108 anos de exploração de petróleo, o país sul-americano "está registrando seu pico mais alto em reservas de petróleo bruto".

"É verdade que, em 108 anos, a Venezuela consumiu 78 bilhões de barris, mas é preciso dizer: hoje, a Venezuela tem seu pico máximo em reservas (...). Vocês percebem que é um país atraente para investir, para produzir e dentro de um quadro de segurança jurídica?", declarou a presidente durante uma consulta pública para a reforma da Lei de Hidrocarbonetos.

Por sua vez, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, estimou que seriam necessários 50 bilhões de dólares em investimentos para que a nação bolivariana, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, aumentasse "exponencialmente" sua produção para cerca de cinco milhões de barris por dia.

Em sua opinião, a modificação do instrumento legislativo permitirá a incorporação do regime de Contrato de Participação Produtiva, que se mostrou eficaz apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos à indústria petrolífera. O objetivo, conforme explicou, é iniciar a produção nos chamados "campos verdes" — aqueles ainda não explorados — e reabilitar os campos abandonados.

'Não aceitamos interferência'

No mesmo pronunciamento, a presidente encarregada respondeu às declarações "irrelevantes e ofensivas" do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, nas quais ele afirmou que Washington controlaria as operações administrativas relacionadas à venda de petróleo bruto venezuelano e decidiria quando as eleições seriam realizadas. 

"O povo da Venezuela não aceita ordens de nenhum fator externo. O povo da Venezuela tem um governo, e esse governo obedece ao povo. Há reciprocidade nessa relação entre o povo venezuelano, suas autoridades e suas instituições", alertou.

Rodríguez afirmou que se sentia "feliz por ter, nesta difícil situação na Venezuela, a honra de representar os venezuelanos e de obedecer ao povo venezuelano".

"Não temos nenhum outro fator externo a quem obedecer, e quanto às ameaças pessoais que recebo, quero que saibam que eu estava ciente delas quando tomei posse como presidente encarregada e assumi o cargo. Não temos medo. Nem temos medo de relações respeitosas com os Estados Unidos, mas estas devem ser relações respeitosas — respeitosas com o direito internacional, com o respeito humano básico nas relações interpessoais e com a dignidade e a história da Venezuela", concluiu ela.