
Rússia afirma que União Europeia abriu mão de sua liberdade ao proibir importação de gás russo

Com a proibição da importação de gás natural liquefeito (GNL) e de gás transportado por gasodutos da Rússia, os países da União Europeia abriram mão de sua liberdade, afirmou nesta segunda-feira (26) a porta voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova.
"Por enquanto, é difícil determinar se são vassalos felizes ou escravos infelizes, algo que o tempo mostrará", comentou a alta diplomata, em referência à crescente dependência do bloco em relação aos fornecimentos norte-americanos de GNL. "Mas eles abriram mão da liberdade em qualquer caso", acrescentou.
Entenda:
Um regulamento adotado formalmente nesta segunda-feira pelo Conselho da União Europeia proíbe os países membros de importar gás transportado por gasodutos e gás natural liquefeito de origem russa a partir de 2027, ainda que com possíveis exceções.
Antes de autorizar a entrada do gás no território da UE, as autoridades deverão verificar em qual país o produto foi extraído.
As empresas que descumprirem a proibição estarão sujeitas a multas de até 300 por cento do valor da transação referente à entrega ou a 3,5 por cento do faturamento anual global da companhia responsável. Mesmo pessoas físicas poderão ser penalizadas, com multas de no mínimo 2,5 milhões de euros. Já a Comissão Europeia poderá suspender temporariamente a proibição apenas em casos de emergência em um ou mais países e por um período máximo de quatro semanas.
"O Ocidente não quer concorrência"
A Rússia advertiu em diversas ocasiões a Europa Central e Ocidental de que o erro de prescindir do gás russo teria um custo elevado. Aqueles que rejeitarem os fornecimentos de portadores de energia da Rússia acabarão comprando mais caro e por meio de intermediários, afirmaram autoridades em Moscou.

Ao abordar a questão da energia em 2024, o presidente russo, Vladimir Putin, denunciou: "O Ocidente não quer concorrência, porque não consegue enfrentá-la, frequentemente perde em uma disputa justa e recorre à discriminação, apresentando isso sob o pretexto de uma suposta solidariedade euro-atlântica, da luta pelos direitos humanos, e assim por diante".
Segundo ele, "historicamente, os principais instrumentos da infraestrutura de apoio ao mercado mundial de energia se concentraram nas mãos do Ocidente". De acordo com Putin, as elites ocidentais acreditaram ser capazes de cortar o acesso a esse sistema para países considerados politicamente indesejáveis, expulsando os do mercado. No entanto, são a Europa e a América do Norte que estão perdendo gradualmente suas posições na economia mundial como resultado dessas práticas.
