Em telefonema com Trump, Lula pede assento para Palestina no Conselho da Paz

Os dois presidentes também discutiram a situação na Venezuela e cooperação para combater o crime organizado.

Os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, conversaram sobre "temas relacionados à relação bilateral e à agenda global" durante um telefonema de 50 minutos na manhã desta segunda-feira (26), informou o Palácio do Planalto.

Palestina

Ao comentar o convite feito ao Brasil para integrar o Conselho da Paz para supervisionar a situação da Faixa de Gaza, Lula defendeu que o órgão proposto pelos Estados Unidos tenha seu escopo limitado à questão de Gaza e inclua a Palestina como membro com assento garantido.

O presidente brasileiro, que no sábado (24) acusou Trump de buscar ''ser dono de nova ONU [Organização das Nações Unidas]'' sem diálogo com o mundo, também enfatizou a importância de uma reforma abrangente da ONU, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança. 

Venezuela

No telefonema, os presidentes também trocaram opiniões sobre a situação na Venezuela. Lula "ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano".

Anteriormente, o brasileiro criticou a operação de captura do presidente Nicolás Maduro, sustentando que a ação violou diretamente a soberania da Venezuela.

Melhora nas relações

Ainda segundo o comunicado, Lula e Trump concordaram com a realização de uma visita de Lula a Washington. A viagem deverá ocorrer após os compromissos do líder brasileiro na Índia e na Coreia do Sul, previstos para fevereiro, embora ainda não haja uma data exata definida.

Os dois também ''saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros", segundo a nota oficial.

Nesse contexto, Lula fez um novo apelo por maior cooperação no combate ao crime organizado, sobretudo em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. De acordo com o Planalto, "a proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano". 

Reconhecendo boas perspectivas para ambas as economias, Trump afirmou que ''o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo''.