O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, exigiu no domingo (25) um pedido de desculpas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após declarações sobre a atuação de aliados da OTAN na guerra do Afeganistão, informou a mídia local. Segundo Pistorius, a afirmação de que tropas aliadas teriam ficado fora da linha de frente é "desrespeitosa" e "não corresponde à verdade".
Em entrevista à Fox News, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Trump disse que os Estados Unidos "nunca precisaram" de ajuda e que aliados da OTAN "ficaram um pouco para trás, um pouco fora da linha de frente" no conflito.
Em entrevista à emissora pública alemã ARD, Pistorius afirmou que "não é correto e é desrespeitoso falar dos mortos de seus aliados dessa forma", destacando que os países da OTAN "estiveram ao lado dos Estados Unidos".
Pistorius declarou que pretende levantar o tema em conversa com o secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, e afirmou que um pedido de desculpas seria "um sinal de decência e respeito".
Países da OTAN participaram da invasão do Afeganistão em 2001 após os Estados Unidos acionarem o Artigo 5º da aliança, em resposta aos ataques de 11 de setembro. A guerra durou quase 20 anos, com a retirada das últimas tropas estrangeiras em 2021. Segundo a imprensa alemã, Berlim enviou cerca de 5 mil soldados ao país, e 59 militares alemães morreram no conflito.
Críticas de outros aliados
As declarações de Trump também foram criticadas por outros líderes europeus. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, acusou o presidente norte-americano de minimizar a contribuição das tropas do Reino Unido e classificou as falas como "francamente chocantes". O Reino Unido teve o segundo maior contingente ocidental no Afeganistão, com cerca de 11 mil soldados no pico da missão.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, chamou os comentários de "inaceitáveis" e afirmou que a atuação da OTAN representou um "ato extraordinário de solidariedade aos Estados Unidos".
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