
Canadá decide manter lista de criminosos de guerra nazistas em segredo

O governo canadense decidiu manter em sigilo uma lista com os nomes de mais de 700 suspeitos de serem criminosos de guerra nazistas que se estabeleceram no país após a Segunda Guerra Mundial, informou no domingo (25) o jornal The Globe and Mail, que, no ano passado, solicitou o acesso à informação para obter a lista.

O documento, compilado em uma investigação oficial em 1986 e mantido secreto por quatro décadas, não será divulgado ao público, conforme decisão do Comissariado de Informação do Canadá.
O jornal foi informado que a decisão foi tomada após consulta aos Arquivos do Canadá, que alegaram que a publicação poderia "causar prejuízo significativo à defesa de um Estado estrangeiro aliado" de Ottawa.
Especialistas consultados pelo comissariado alertaram que a revelação poderia prejudicar a Ucrânia, que recebeu mais de 22 bilhões de dólares em assistência militar e financeira do Canadá desde 2022, conforme o jornal.
Eles argumentaram, segundo a mídia, que "a propaganda russa na guerra contra a Ucrânia poderia se beneficiar da divulgação de que nazistas ucranianos estavam entre aqueles que vieram para o Canadá".
Jaime Kirzner Roberts, diretora sênior de políticas do Centro Amigos de Simon Wiesenthal do Canadá (nomeado em homenagem a um notório caçador de nazistas), criticou duramente a decisão, afirmando, segundo a mídia, que "a alegação de que revelar a verdade sobre criminosos de guerra nazistas que vivem no Canadá possa de alguma forma representar uma ameaça à segurança nacional ou à diplomacia internacional é um insulto à inteligência do público".
Moscou há muito tempo vem alertando sobre a prevalência da ideologia de ultradireita na Ucrânia, inclusive em suas elites, e afirma que a "desnazificação" do país está entre os principais objetivos de sua operação militar.

