Conversas privadas dentro das instituições da União Europeia revelam fortes divergências no topo do bloco. Segundo informações publicadas nesta segunda-feira (26) pelo portal Politico, a alta representante da UE para Relações Exteriores, Kaja Kallas, se referiu à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como uma "ditadora", reconhecendo ter poucos meios para reagir a essa situação.
De acordo com o veículo de imprensa, as declarações foram feitas em caráter reservado e evidenciaram ainda mais a crise institucional que a União Europeia vive. Além da esfera econômica, a tensão afeta também a política interna do bloco.
Um funcionário do alto escalão de Bruxelas afirmou que Kallas "reclama privadamente que von der Leyen é uma ditadora, mas não há nada que ela possa fazer sobre isso".
Segundo o Politico, um alto funcionário europeu afirmou que a relação entre Ursula von der Leyen e os responsáveis pela diplomacia do bloco tem sido marcada por conflitos nos bastidores.
No caso de Kaja Kallas, as tensões alcançaram um nível considerado inédito, superando os atritos registrados durante o mandato do ex-chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.
Ainda conforme o relato, o impasse está ligado a um desequilíbrio institucional. Kallas, ex-primeira-ministra da Estônia, país de menor peso político dentro da União Europeia, tem menos influência do que Borrell, que é espanhol e oriundo de um Estado-membro considerado mais influente.