
Israel só reabrirá Rafah após operação para recuperar corpo de sargento

O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que a passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, será reaberta apenas após a conclusão de uma operação militar em curso, cujo objetivo é recuperar o corpo do sargento Ran Gvili, considerado o último refém israelense morto mantido no enclave palestino. A informação foi divulgada pelo jornal The Times of Israel na segunda-feira (26), em horário local.
A decisão foi tomada após uma reunião do gabinete de segurança, em meio à crescente pressão internacional para que Israel permita novamente a passagem de ajuda humanitária pelo posto fronteiriço.

Embora o comunicado oficial não apresente um prazo definido para o fim da operação das Forças de Defesa de Israel (IDF), uma autoridade dos Estados Unidos declarou ao jornal israelense que Washington espera a reabertura de Rafah até o início de fevereiro.
Segundo o Exército israelense, a busca pelo corpo de Gvili está sendo realizada em um cemitério localizado no norte da Faixa de Gaza. O sargento foi morto durante o período do conflito e seu corpo não havia sido recuperado até então.
Em 22 de janeiro, o comissário-chefe do Comitê Nacional para a Administração de Gaza e o enviado da entidade ao enclave já haviam anunciado que a travessia seria reaberta nesta semana, pela primeira vez em quase um ano.
No comunicado, o gabinete de Netanyahu afirmou que a reabertura do posto de Rafah está condicionada "ao retorno de todos os reféns vivos e ao esforço de 100% por parte do Hamas para localizar e devolver todos os reféns mortos".
O acordo firmado em 9 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas, no âmbito da primeira fase do plano de paz para Gaza proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previa o retorno de todos os reféns vivos em até 72 horas após o início do cessar-fogo, em 10 de outubro. No entanto, o acordo permitia que o processo de recuperação dos corpos demorasse mais, sem condicionar expressamente a reabertura de Rafah à devolução de todos os cativos.
O governo israelense declarou que as forças armadas estão conduzindo "uma operação focada para utilizar plenamente todas as informações de inteligência obtidas no esforço para localizar e trazer de volta" o corpo do sargento Gvili. Após a conclusão dessa missão, e "de acordo com o que foi acordado com os Estados Unidos", a passagem será reaberta.
O gabinete reforçou que Israel está comprometido com o retorno de Gvili e que fará tudo o que estiver ao seu alcance para recuperar seu corpo.
Embora tenha sido usada também para a entrada de bens durante o conflito, a passagem de Rafah é destinada prioritariamente ao trânsito de pedestres.

