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Quem era Alex Pretti, o enfermeiro morto por agente federal durante operação nos EUA

Encarregado da UTI, ativista e cidadão dos EUA, ele foi morto após abordagem violenta.
Quem era Alex Pretti, o enfermeiro morto por agente federal durante operação nos EUAReprodução/Divulgação Redes Sociais

Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, foi morto a tiros por um agente da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos durante uma operação do Departamento de Segurança Interna (DHS) em Minneapolis, no sábado (24).

Cidadão norte-americano, nascido em Illinois, Pretti era enfermeiro de terapia intensiva em um hospital de veteranos e participava ativamente de protestos contra a política migratória do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo a versão oficial divulgada pelo DHS, Pretti teria se aproximado dos agentes com uma pistola semiautomática de 9 milímetros. As autoridades não esclareceram se a arma foi sacada ou apontada.

Vídeos gravados por testemunhas mostram o homem com um celular na mão. Nenhuma das imagens divulgadas até o momento mostra uma arma. A família afirmou que ele possuía uma arma registrada e tinha autorização para porte velado no estado de Minnesota, mas disse nunca ter sabido que ele andasse armado.

Pretti não tinha antecedentes criminais. Ele havia participado de protestos contra ações do ICE, como o ocorrido após a morte de Renee Good, em 7 de janeiro, também em operação do órgão. Familiares relataram que ele demonstrava incômodo com a presença do serviço de imigração em Minneapolis e em outras partes do país.

"Ele se importava muito com as pessoas e estava muito chateado com o que estava acontecendo com o ICE, como milhões de outras pessoas", disse o pai, Michael Pretti à Associated Press (AP)

"Ele achava terrível, como crianças sendo levadas e pessoas arrancadas das ruas. Por isso, participou de protestos", contou. 

Os pais, que moram no Colorado, afirmaram que conversaram com o filho duas semanas antes da morte. "Dissemos para protestar, mas não se envolver nem fazer nada imprudente", contou o pai. "Ele disse que sabia disso". 

Criado em Green Bay, no estado de Wisconsin, Pretti foi escoteiro, cantou em coral juvenil e praticou esportes como futebol americano, beisebol e atletismo no ensino médio. Formou-se em 2011 pela Universidade de Minnesota, com diploma em biologia, sociedade e meio ambiente. Trabalhou como pesquisador e mais tarde voltou à universidade para se tornar enfermeiro. Atuava em um hospital dedicado a veteranos de guerra.

A ex-mulher disse à Associated Press que não se surpreendeu ao saber da presença dele em protestos. Segundo ela, Pretti era eleitor do Partido Democrata e havia participado de manifestações após a morte de George Floyd, em 2020. Contou ainda que, apesar de discutir com policiais durante protestos, ele nunca agiu de forma agressiva. Afirmou também que ele havia obtido autorização para porte de arma cerca de três anos antes.

Pretti morava sozinho em um prédio residencial a cerca de 3 quilômetros do local onde foi morto. Vizinhos relataram que ele era uma pessoa reservada, mas solícita. "Ele era uma pessoa maravilhosa", disse Sue Gitar, vizinha do andar de baixo.

Relatos indicam que ele costumava ajudar em emergências no prédio, como suspeitas de vazamento de gás. Embora soubessem que ele frequentava estandes de tiro, os moradores disseram não acreditar que ele carregasse uma arma nas ruas.

A mãe, Susan Pretti, afirmou que o filho se preocupava com o rumo do país, especialmente com o recuo de regras ambientais durante o governo Trump.

"Ele odiava ver pessoas destruindo a terra", disse. "Ele amava este país, mas não gostava do que estavam fazendo com ele", finalizou.