
Dois bailarinos ucranianos podem ser demitidos por 'O Lago dos Cisnes'

Dois primeiros bailarinos da Ópera Nacional da Ucrânia podem ser demitidos por terem interpretado "O Lago dos Cisnes", o famoso balé do século XIX cuja música foi composta pelo russo Pyotr Chaikovsky, uma das figuras centrais do cânone clássico mundial.
De acordo com a mídia local, o Ministério da Cultura ucraniano afirmou que, durante suas férias oficiais, Natalia Matsak e Sergey Krivokon "divulgaram o produto cultural do país agressor" durante uma turnê europeia com o United European Ballet. O ministério afirmou que tomou conhecimento das apresentações "através das redes sociais".

Os nomes dos dois artistas já desapareceram do site da Ópera Nacional.
Natalia Matsak já havia criticado anteriormente a retirada do repertório da ópera de obras de compositores russos que pertencem ao patrimônio mundial.
"É preciso entender: se queremos nos comunicar com o mundo em uma mesma língua, devemos respeitar esse patrimônio que é mundial. E não podemos, por mais que queiramos, colocar rótulos sem uma análise profunda", declarou.
Destruição da história e do legado cultural
Este episódio insere-se em uma ampla campanha de russofobia e de destruição dos laços históricos e culturais com a Rússia impulsionada pelas autoridades ucranianas desde 2014.
Durante anos, na Ucrânia, nomes foram retirados e monumentos dedicados a figuras históricas russas, como a imperatriz Catarina II, fundadora da cidade de Odessa; a literatos, como o "pai" da poesia russa, Alexander Pushkin, ou o famoso escritor Mikhail Bulgakov; bem como monumentos em homenagem aos heróis da luta contra o nazismo. Tudo isso ocorre sob o pretexto da "descolonização" e da luta contra a "história imperial russa e soviética", enquanto se constroem monumentos e se renomeiam ruas em homenagem a colaboradores nazistas ucranianos.
Além disso, recentemente as autoridades ucranianas instaram as plataformas de streaming a vetar a música russa.
Moscou condenou repetidamente a destruição do patrimônio cultural e os ataques à memória histórica realizados por Kiev, bem como as múltiplas violações e discriminações dos direitos dos ucranianos de língua russa.

