O Canadá enfrenta uma "grande dor de cabeça" devido à sua disputa com Donald Trump, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, neste domingo (25).
"Não sei o quão doloroso isso será para o Canadá, mas posso dizer com um alto grau de probabilidade que, digamos, [...] eles terão uma grande dor de cabeça", disse Peskov ao jornalista russo Pavel Zarubin.
Ele também indicou que, ao revogar o convite para participar do Conselho de Paz de Gaza, Washington está punindo Ottawa por declarações recentes feitas pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no Fórum de Davos.
Tensões entre os EUA e o Canadá
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, as relações entre Ottawa e Washington estão tensas. O presidente dos EUA afirmou que gostaria que o Canadá se tornasse o 51º estado americano e criticou o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), afirmando que é o Canadá que precisa do acordo comercial.
O presidente americano anunciou no Truth Social na sexta-feira (23) que revogou o convite ao Canadá para participar de sua iniciativa do Conselho da Paz, que considerada por Trump como "o conselho de líderes mais prestigioso já reunido". As declarações foram provocadas pelo discurso do premiê do Canadá no Fórum Econômico Mundial de 2026, na quarta-feira (21), onde ele denunciou abertamente nações poderosas por usarem integração econômica como arma e tarifas como forma de pressão.
Trump também lançou um ultimato contra qualquer reaproximação de Ottawa com Pequim, acusando Carney de tentar transformar o Canadá em um "porto de descarga" para bens e produtos chineses nos EUA. "Se o Canadá fechar um acordo com a China, haverá imediatamente uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos EUA", afirmou no sábado (24).
Durante sua visita a Pequim neste mês de janeiro, Carney elogiou as relações de seu país com a China. "Acredito que o progresso que alcançamos nesta parceria é um bom ponto de partida para a nova ordem mundial", disse Carney durante a abertura de sua reunião bilateral com o presidente chinês Xi Jinping. "Esta é uma parceria com uma nova abordagem, maior profundidade e um senso de propósito", concluiu.