
Kremlin: Como é que o chefe da OTAN decide o destino da Dinamarca?

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirma que é necessário analisar em profundidade a situação em torno da Groenlândia, uma vez que estão ocorrendo "muitas coisas estranhas".
"Ainda não sabemos que acordo será feito sobre a Groenlândia. As notícias chegaram após a reunião do presidente Trump com o Sr. Rutte. Mas se nos perguntarmos qual é a relação do secretário-geral da OTAN com a Dinamarca ou a Groenlândia, é improvável que respondamos a essa pergunta, não é?”, disse Peskov neste domingo (25) ao jornalista Pavel Zarubin.

"Também não está claro como o Sr. Rutte pôde decidir o destino do Reino da Dinamarca. Muitas coisas estranhas estão acontecendo", observou.
Além disso, Peskov destacou que também é necessário analisar os planos dos EUA de criar um sistema de defesa antimísseis conhecido como "Cúpula de Ouro", parte do qual eles pretendem implantar na ilha ártica.
"O que será essa 'cúpula'? Contra quais ameaças ela será projetada? Não tenho dúvidas de que nossos militares analisarão esses planos minuciosamente", acrescentou.
Tensão transatlântica
Os comentários foram feitos em meio a divisões cada vez mais acentuadas dentro da OTAN. Ao longo desta semana, foi anunciado o estabelecimento de um marco para um "futuro acordo" sobre a Groenlândia, que, embora seja considerada um território autônomo, faz parte do Reino da Dinamarca, membro do bloco militar, e em relação à qual Trump manifestou abertamente seu desejo de adquiri-la, mesmo que fosse necessário recorrer à força militar.
Nesse contexto, algumas nações enviaram contingentes à ilha ártica para realizar manobras militares, diante do que o presidente americano anunciou a imposição de tarifas de 10% sobre os produtos desses países, todos membros da OTAN, decisão que acabou sendo anulada na quarta-feira (21).
