O Planalto anunciou isenção de vistos no Brasil para cidadãos chineses na sexta-feira (23), em resposta à isenção concedida pela China aos brasileiros desde junho de 2025, válida até dezembro de 2026. A iniciativa visa fortalecer os laços com a China e fomentar o intercâmbio em diversas áreas.
A decisão foi comunicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente da China, Xi Jinping, durante uma conversa telefônica na quinta-feira (22), oficializando a medida que já era antecipada a título de reciprocidade. O Palácio do Planalto, no dia seguinte, divulgou nota destacando que a isenção ocorrerá no contexto da expansão da cooperação científica e tecnológica. A expectativa é que a medida impulsione o turismo, o comércio e o fluxo de investimentos entre os dois países.
Durante a conversa, Lula e Xi destacaram a importância da parceria estratégica entre os países e reafirmaram o compromisso com o fortalecimento das Nações Unidas — atravessando o contexto das políticas unilaterais de Donald Trump nos Estados Unidos e a criação de seu Conselho da Paz.
Nesse sentido, ambos também enfatizaram a necessidade de defender o multilateralismo, o direito internacional e o livre comércio no cenário global.
De portas abertas
A China tem ampliado sua política de isenção de vistos para facilitar o acesso de cidadãos de diversas nacionalidades, incluindo outros países sul-americanos como Argentina, Chile, Peru e Uruguai, totalizando 45 nações.
Especificamente, China e Brasil desfrutam de uma relação cada vez mais próxima, cuja abertura de seu fluxo de pessoas espelha uma aproximação no fluxo de capital e investimentos. A isenção é um passo adiante nesta direção, já deflagrada pelo acordo bilateral sobre vistos em janeiro de 2024, que permitiu a emissão de vistos com validade de até dez anos.
Para os cidadãos brasileiros e chineses beneficiados, a isenção permitirá uma estadia de até 30 dias sem a necessidade de visto para fins de negócios, turismo, visita a familiares ou participação em eventos.
A iniciativa é vista como um passo importante para aumentar a presença do Brasil no mercado turístico chinês, que é um dos maiores do mundo. Atualmente, a participação brasileira nesse mercado é de apenas 0,05%, de acordo com dados da Embratur, indicando um potencial significativo de crescimento.
O Conselho Empresarial Brasil-China já se manifestou favoravelmente à medida em dezembro do ano passado, prevendo impactos positivos em setores como hotelaria, companhias aéreas e comércio. A expectativa é que a facilidade de viagens impulsione ainda mais os negócios e as relações bilaterais.