
Países europeus rejeitam adesão ao Conselho de Paz proposto por Trump

Diversos países europeus anunciaram que não irão aderir, neste momento, ao Conselho de Paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criado com o objetivo de estabilizar a situação na Faixa de Gaza.

Embora os Estados Unidos e outros 18 países tenham assinado o estatuto da organização, parceiros europeus manifestaram ceticismo quanto ao formato e ao alcance da iniciativa.
A França foi uma das primeiras nações a recusar o convite. Segundo a Presidência francesa, em declaração citada pelo portal Politico, os estatutos do conselho "vão além do marco de Gaza" e levantam dúvidas sobre princípios e estruturas das Nações Unidas.
No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer também planeja rejeitar a adesão. Uma fonte ouvida pelo Financial Times afirmou que Starmer não quer "pagar 1 bilhão de dólares (R$ 5,2 bilhões) do dinheiro dos contribuintes para fazer parte de um conselho com [o presidente da Rússia, Vladimir] Putin".
A Noruega também negou. Para o secretário de Estado Kristoffer Thoner, a proposta precisa ser avaliada à luz da relação com a ONU e dos compromissos internacionais do país.
A Suécia confirmou que não ingressará no conselho "tal como está redigido atualmente", segundo o primeiro-ministro Ulf Kristersson.
Itália e Alemanha também apontaram entraves legais. A premiê italiana, Giorgia Meloni, declarou que a iniciativa apresenta problemas constitucionais, enquanto o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que a estrutura de governança do conselho é incompatível com a Constituição alemã, embora tenha ressaltado disposição para outras formas de cooperação com os Estados Unidos.
Espanha e Países Baixos igualmente rejeitaram a adesão. O premiê espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que o órgão "está fora do marco das Nações Unidas" e não inclui a Autoridade Palestina. Já o chanceler neerlandês, David van Weel, disse que a decisão não é definitiva e descreveu a posição da União Europeia como "mais de princípios".
O líder do regime da Ucrânia, Vladimir Zelensky, também expressou reservas, destacando a presença da Rússia entre os convidados da Casa Branca.
"Rússia é nosso inimigo. Belarus é sua aliada. É muito difícil imaginar como poderíamos estar juntos em um conselho de qualquer tipo", afirmou.
Assinatura do estatuto e críticas
Durante a cerimônia de assinatura do estatuto, Trump declarou que, uma vez formado, o conselho poderá "fazer praticamente tudo o que quiser", acrescentando que atuará "em colaboração com a ONU". Entre os fundadores estão Argentina, Armênia, Indonésia, Azerbaijão, Hungria, Cazaquistão e Paquistão.
Uma reportagem do Financial Times apontou preocupações de que a iniciativa possa competir com a ONU. O estatuto define o Conselho da Paz como uma organização voltada a promover estabilidade e garantir paz duradoura em áreas afetadas por conflitos. Um funcionário dos Estados Unidos afirmou ao portal Axios que o órgão não se concentrará apenas na Faixa de Gaza.
Para conhecer o plano de Trump para Gaza em detalhes, leia nosso artigo.
Confira a lista completa dos países que assinaram o estatuto do Conselho de Paz de Trump em nosso artigo.


