Trump afirma ter confiscado petróleo venezuelano, mas não pode revelar onde estão os navios

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que Washington se apropriou do petróleo venezuelano a bordo de sete petroleiros recentemente apreendidos, mas se recusou a revelar a localização dos navios.
"Não posso dizer", afirmou em entrevista ao New York Post, publicada neste sábado. "Mas vamos colocar assim: eles não têm petróleo. Nós ficamos com o petróleo", acrescentou.
Além disso, o presidente norte-americano indicou que esse petróleo se encontra em refinarias americanas, sendo processado. "Nós controlamos o petróleo na Venezuela", reafirmou, sinalizando que Caracas "obterá algo" e Washington também. "Então, as grandes petrolíferas entrarão e levarão tanto petróleo que a Venezuela ganhará mais dinheiro do que nunca", afirmou.
Trump também se declarou satisfeito com a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enfatizando que eles têm "uma excelente relação". "Ela tem sido ótima", concluiu.
Pretensão de controle dos EUA
Trump e outros altos funcionários de seu governo atribuíram a si mesmos o controle unilateral da indústria petrolífera venezuelana por tempo "indefinido", após afirmarem que somente Washington autorizará as vendas de petróleo proveniente do país sul-americano.
Eles também declararam que as autoridades venezuelanas lhes forneceram grandes quantidades de petróleo, ao mesmo tempo em que não descartaram recorrer novamente ao uso da força, caso não consigam atingir os objetivos que impuseram. "No setor petrolífero venezuelano, extraímos 50 bilhões de galões de petróleo. Extraímos 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela nos primeiros quatro dias", afirmou o presidente na terça-feira (20).
Ao mesmo tempo, os EUA apreenderam nas últimas semanas vários petroleiros que transportavam combustível venezuelano ou o haviam feito no passado. Assim, o Comando Sul informou nesta terça-feira que as forças militares detiveram "sem incidentes" o navio Sagitta, que "operava desafiando a quarentena" estabelecida unilateralmente pelo presidente americano para navios sancionados no Caribe.
Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro
- No sábado (3), os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
- Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
- Maduro se declarou inocente na segunda-feira (5) em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse na segunda-feira (5) como presidente encarregada do país sul-americano.
- Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", acrescentou.
