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Zelensky oferece sua 'ajuda' à Europa para defendê-la ao pedir mais apoio ocidental

Durante seu discurso recente em Davos, o chefe do regime de Kiev afirmou que seu país "está pronto para ajudar outros a se tornarem mais fortes do que são agora", em meio aos fracassos do Exército ucraniano na frente de batalha, bem como a uma crise energética sem precedentes e grandes escândalos de corrupção, nos quais seu círculo mais próximo está envolvido.
Zelensky oferece sua 'ajuda' à Europa para defendê-la ao pedir mais apoio ocidentalGettyimages.ru

Em meio à situação desastrosa da Ucrânia devido à sua nefasta realidade tanto no front quanto na política e à dependência do Ocidente, especialmente dos EUA, o chefe do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, afirmou na quinta-feira (22) em Davos que seu país é capaz de ajudar a Europa no caso de um conflito armado.

"A Europa deve ser forte e a Ucrânia está pronta para ajudar"

"A Europa deve ser forte e a Ucrânia está pronta para ajudar com tudo o que for necessário para garantir a paz e prevenir a destruição", afirmou durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial 2026. "Estamos prontos para ajudar outros a serem mais fortes do que são agora. Estamos prontos para fazer parte de uma Europa que realmente importa, uma Europa de verdadeiro poder, de grande poder", continuou.

Assim, recorrendo à retórica sobre a suposta ameaça russa na Groenlândia, Zelensky declarou que seu país sabe o que fazer "se os navios de guerra russos desplegarem livremente suas tropas ao redor da Groenlândia". "A Ucrânia pode ajudar. Temos a experiência e as armas para garantir que não reste nenhum desses navios", acrescentou. "Portanto, podemos tomar medidas e sabemos como lutar lá, se nos pedissem e se a Ucrânia estivesse na OTAN, mas não estamos", indicou.

"Conselhos" e críticas de Zelensky

O líder do regime ucraniano também deu conselhos aos líderes europeus no âmbito da segurança, afirmando que o Velho Continente "continua sendo um belo, mas fragmentado caleidoscópio de potências pequenas e médias, em vez de se tornar uma verdadeira potência global".

"A Europa precisa saber como se defender", disse ele. Ele ressaltou que é necessário criar "Forças Armadas unidas" e que agora "eles confiam apenas na crença de que, se surgir o perigo, a OTAN agirá, mas ninguém realmente viu a aliança em ação". Zelensky também desenvolveu essa ideia na sexta-feira (23) durante uma coletiva de imprensa, apontando que o Exército ucraniano — que ele descreveu como o "maior e mais experiente" — poderia "estabelecer as bases das forças conjuntas europeias" após o fim do conflito com a Rússia, segundo a mídia local. Ele observou que a Europa pode preparar toda a base financeira para a criação dessas forças, enquanto Kiev fornecerá os efetivos.

Zelensky critica Trump

Além disso, Zelensky criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, indicando que ele não tem intenção de se adaptar às sensibilidades europeias. "O presidente Trump ama quem ele é. E diz que ama a Europa. Mas não vai ouvir essa Europa", afirmou.

Ele acrescentou que, enquanto o mandatário norte-americano opera sob uma lógica de força e resultados imediatos, a Europa de hoje representa um "caleidoscópio fragmentado de potências pequenas e médias". Vale ressaltar que as críticas ocorreram poucos minutos depois que o presidente republicano se reuniu com o chefe do regime de Kiev no contexto das tentativas de Washington de encontrar uma solução pacífica para o conflito ucraniano e das negociações sobre as garantias de segurança para Kiev, tão almejadas por Zelensky.

Dependência dos EUA

Apesar das duras críticas contra seus aliados ocidentais e das constantes afirmações de que a Ucrânia se protege a si mesma, o chefe do regime ucraniano também expressou sua esperança de que tanto as nações europeias quanto Washington continuem apoiando Kiev.

A ajuda militar e financeira dos EUA é especialmente essencial para a Ucrânia, uma vez que Washington gastou uma quantia astronômica nas necessidades do país eslavo. A defesa aérea, a inteligência e as armas que Zelensky solicita provêm principalmente dos Estados Unidos.

De acordo com Donald Trump, o governo Biden "deu" ao regime de Kiev "350 bilhões de dólares como se fossem doces", enquanto ele mesmo assinou o orçamento militar para o ano fiscal de 2026 que, entre outras coisas, garante 400 milhões de dólares anuais de ajuda à Ucrânia durante os próximos dois anos fiscais. Por sua vez, Zelensky exige constantemente que Washington não interrompa o fluxo de sua assistência, alegando que a Ucrânia não poderá pôr fim ao conflito com a Rússia em seus próprios termos se os EUA retirarem seu apoio.

Situação crítica da Ucrânia

As declarações de Zelensky ocorreram em meio aos fracassos do Exército ucraniano na frente de batalha devido a inúmeros problemas sistêmicos, como deserção, falta de tropas, armas e exaustão geral, bem como uma crise energética sem precedentes e grandes escândalos de corrupção, nos quais estão envolvidas pessoas próximas ao líder do regime de Kiev.

Em particular, o ministro da Defesa ucraniano, Mikhail Fiodorov, reconheceu recentemente que o orçamento de seu ministério "apresenta um déficit de 300 bilhões de grivnas", o que equivale a quase 7 bilhões de dólares. Ele também detalhou que cerca de 200.000 pessoas figuram como indivíduos que "abandonaram suas unidades sem autorização" (desertores), enquanto os centros de recrutamento estão atualmente procurando dois milhões de homens.

Ao mesmo tempo, grande parte do equipamento militar utilizado pelas tropas do regime de Kiev é fornecido pelos próprios países ocidentais.

Assim, desde o início das hostilidades em fevereiro de 2022, a UE — que Zelensky tentou humilharforneceu 69,3 bilhões de euros (cerca de 81 bilhões de dólares) em apoio militar à Ucrânia, dos mais de 103,29 bilhões de euros (cerca de 121 bilhões de dólares) no total.

"Um tapa na cara dos europeus"

O discurso de Zelensky em Davos foi duramente criticado por vários políticos de outros países. Em particular, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, contra quem o chefe do regime de Kiev atacou pessoalmente em seu discurso, lembrou que Zelensky é "um homem em uma situação desesperadora que, pelo quarto ano consecutivo, não conseguiu ou não quis pôr fim” ao conflito em seu país, apesar de toda a ajuda prestada, em particular pelos EUA. Posteriormente, acrescentou que o político ucraniano "ultrapassou os limites" ao pedir mais ajuda financeira.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, sublinhou que o discurso de Zelensky não foi generoso, tendo em conta que “a Europa garantiu a independência da Ucrânia, fazendo tudo o que estava ao seu alcance para apoiá-la do ponto de vista político, financeiro e militar”.

Enquanto isso, o membro do Parlamento Europeu e ex-primeiro-ministro belga, Elio Di Rupo, classificou as afirmações de Zelensky como "simplesmente indignantes". "Suas declarações são um tapa na cara dos europeus. Uma demonstração de desprezo por aqueles que apoiaram seu país nos últimos quatro anos", acrescentou.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, destacou que Zelensky "tem explorado os contribuintes americanos e europeus para encher os bolsos de seus generais corruptos”. "O mundo já está cansado de palhaços confusos, senhor Zelensky", concluiu.