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Pentágono publica sua nova Estratégia de Defesa: o que ela contém?

O documento determina a política de defesa que será aplicada pelo governo Trump durante seu segundo mandato.
Pentágono publica sua nova Estratégia de Defesa: o que ela contém?Departamento de Guerra dos EUA.

O Departamento de Guerra dos EUA publicou na sexta-feira (24) a nova Estratégia Nacional de Defesa, que oferece uma visão geral de como o Pentágono implementará a política "America First" (EUA em primeiro lugar) de Donald Trump na esfera da defesa durante seu segundo mandato. O documento tem 25 páginas.

Rússia, "ameaça persistente"

Uma parte da estratégia é dedicada à Rússia, que é classificada como "ameaça persistente, mas controlável" para os membros orientais da OTAN. O Pentágono reconheceu que Moscou "mantém importantes reservas de poder militar e industrial" e possui "o maior arsenal nuclear do mundo, que continua modernizando e diversificando", bem como capacidades submarinas, espaciais e cibernéticas que é capaz de usar contra os EUA.

"Em vista disso, o Departamento garantirá que as forças americanas estejam preparadas para se defender das ameaças russas ao território americano", diz o documento. No entanto, o Pentágono afirmou que os aliados dos EUA na OTAN são "substancialmente mais poderosos do que a Rússia".

Conflito ucraniano

O documento também aborda o conflito ucraniano, citando as afirmações de Trump de que este "deve terminar". No entanto, o Pentágono transfere para a Europa a responsabilidade de resolvê-lo. "Como também enfatizou, esta é, acima de tudo, uma responsabilidade da Europa. Portanto, garantir e manter a paz exigirá liderança e compromisso de nossos aliados da OTAN", destaca.

Europa

De acordo com a nova estratégia, a Europa deve assumir a responsabilidade principal pela sua própria defesa para enfrentar as ameaças à sua segurança. "Que a Europa assuma a responsabilidade principal pela sua própria defesa convencional é a resposta às ameaças à segurança que enfrenta. Portanto, o Departamento incentivará e capacitará os aliados da OTAN a assumirem a responsabilidade principal pela defesa convencional da Europa, com o apoio crucial, embora mais limitado, dos Estados Unidos", diz o documento.

China

Ao contrário da Rússia, a Estratégia não considera a China uma ameaça, mas descreve o país como o segundo mais poderoso depois dos EUA. Neste contexto, o Pentágono aponta como objetivo dissuadir a China no Indo-Pacífico através da força, mas não da confrontação.

"A Estratégia de Segurança Nacional ordena ao Departamento de Guerra que mantenha um equilíbrio favorável de poder militar no Indo-Pacífico. Não com o objetivo de dominar, humilhar ou estrangular a China. Pelo contrário, nosso objetivo é muito mais ambicioso e razoável: simplesmente garantir que nem a China nem ninguém mais possa dominar a nós ou aos nossos aliados", destaca.

O Pentágono enfatiza que a dissuasão de Pequim não tem como objetivo uma mudança de poder ou uma luta pela existência, mas garantir condições favoráveis para os americanos que o país asiático também possa aceitar.

RPDC

A estratégia destaca que a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) é "uma ameaça militar direta" para a Coreia do Sul e o Japão, ambos aliados dos EUA. O Pentágono alertou Seul sobre uma possível invasão norte-coreana, acrescentando que as forças de mísseis de Pyongyang são capazes de atacar alvos tanto na Coreia do Sul como no Japão com armas convencionais e nucleares, bem como com outras armas de destruição maciça.

"As forças nucleares da RPDC estão cada vez mais capazes de ameaçar o território americano. Essas forças estão crescendo em tamanho e sofisticação e representam um perigo claro e presente de ataque nuclear contra o território americano", afirma.

Irã

O Pentágono acredita que o Irã poderia tentar obter armas nucleares, utilizando, entre outras estratégias, sua recusa em negociar seu programa nuclear. "Mesmo assim, embora o Irã tenha sofrido graves reveses nos últimos meses, parece decidido a reconstituir suas forças militares convencionais. Os líderes iranianos também deixaram em aberto a possibilidade de tentar novamente desenvolver uma arma nuclear, recusando-se até mesmo a iniciar negociações significativas", alerta a diretriz.

O documento menciona que o presidente Donald Trump "sempre deixou claro que o Irã não terá permissão para adquirir armas nucleares" e lembra os resultados da operação Martelo da Meia-Noite (Midnight Hammer) de 21 de junho contra a República Islâmica. "As forças conjuntas agiram sem falhas e aniquilaram o programa nuclear iraniano", afirma o documento.

Por outro lado, o Pentágono indica que o contexto apresenta "oportunidades significativas" para os EUA. Por exemplo, menciona que é possível fortalecer as capacidades de defesa de Israel e promover os "interesses comuns", com base nos esforços de Trump para "garantir a paz no Oriente Médio". "Da mesma forma, no Golfo, os parceiros dos EUA estão cada vez mais dispostos e capazes de fazer mais para se defender do Irã e de seus representantes, inclusive adquirindo e colocando em serviço uma variedade de sistemas militares americanos", acrescenta.

Groenlândia

O Pentágono considerou a Groenlândia um território estratégico fundamental, no qual deve ser garantido o acesso de contingentes militares americanos.

"O fato é que o presidente Trump assumiu o cargo, em janeiro de 2025, em um dos cenários de segurança mais perigosos da história dos Estados Unidos. No país, as fronteiras americanas estavam sobrecarregadas, os narcoterroristas e outros inimigos tornaram-se mais poderosos em todo o hemisfério ocidental, e o acesso dos Estados Unidos a territórios-chave como o Canal do Panamá e a Groenlândia estava cada vez mais em dúvida", diz o documento.

No entanto, "tudo isso está mudando agora" e o Departamento de Guerra "está totalmente focado em restaurar a paz pela força", indica. "Defenderemos ativa e corajosamente os interesses dos Estados Unidos em todo o hemisfério ocidental. Garantiremos o acesso militar e comercial dos Estados Unidos a territórios-chave, especialmente o Canal do Panamá, o Golfo da América e a Groenlândia", afirma o documento.

Hemisfero ocidental

A estratégia destaca a necessidade de proteger os interesses dos Estados Unidos no hemisfério ocidental, bem como priorizar a segurança interna e a região do Indo-Pacífico. "Defenderemos ativa e intrepidamente os interesses dos Estados Unidos em todo o hemisfério ocidental", afirmou o departamento.

Embora indique que os EUA manterão boas relações com seus "vizinhos" do Canadá à América Central e América do Sul, o Departamento de Guerra adverte que exigirá que eles respeitem e defendam seus "interesses comuns". "Onde não o fizerem, estaremos prontos para tomar medidas específicas e decisivas que promovam concretamente os interesses dos EUA", acrescenta.

O documento também menciona que essa abordagem constitui "o corolário de Trump à Doutrina Monroe" e que suas Forças Armadas estão preparadas para aplicá-la com "rapidez, potência e precisão", como ficou demonstrado na operação militar contra a Venezuela, que culminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro.