O sistema energético da Ucrânia enfrenta uma crise grave, com a imposição de cortes emergenciais de eletricidade em diversas regiões do país, incluindo a capital, Kiev. Diante do agravamento da situação, o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, afirmou que avalia a adoção de um regime de emergência no setor energético para conter o colapso da rede.
Em publicação no Telegram, Zelenski declarou que "será criada uma comissão permanente para coordenar a situação na cidade de Kiev" e que, de forma geral, "será instaurado um regime de emergência no setor energético da Ucrânia". O líder do regime também ordenou a revisão das normas do toque de recolher.
A situação se deteriorou após a intensificação dos ataques russos contra infraestruturas energéticas ucranianas. O Ministério da Defesa da Rússia afirma que os alvos atingidos estão ligados ao complexo militar-industrial e operam em benefício do Exército ucraniano.
Autoridades russas sustentam que Moscou evitou por um longo período atacar o setor energético da Ucrânia e que, no ano passado, aceitou inclusive uma moratória de um mês sobre ações contra essas instalações. Segundo o governo russo, os ataques foram retomados após ações classificadas como "terroristas" atribuídas ao regime de Kiev.
Ataques a navios e infraestrutura internacional
Em 28 e 29 de novembro de 2025, os petroleiros Kairos e Virat, que navegavam sob bandeira gambiana rumo ao porto russo de Novorossíisk, foram atacados por embarcações marítimas não tripuladas.
Um ataque semelhante deixou temporariamente fora de operação o dispositivo de amarração remota VPU-2 do Consórcio do Oleoduto do Cáspio, utilizado por empresas da Rússia, do Cazaquistão, dos Estados Unidos e de países da Europa Ocidental.
No início de dezembro de 2025, a Direção Geral de Assuntos Marítimos da Turquia informou que um navio-tanque carregado com óleo de girassol, que seguia da Rússia para a Geórgia, foi atacado a pouco mais de 100 quilômetros da costa turca. Segundo relatos, os ataques continuaram neste ano, atingindo outros navios mercantes próximos ao Consórcio do Oleoduto do Cáspio.
Ameaças
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a Rússia tolerou por muito tempo os ataques ucranianos contra suas instalações energéticas antes de reagir.
"Durante muito tempo toleramos que as forças ucranianas lançassem ataques constantes contra nossas instalações energéticas. Depois disso, começamos a responder", disse.
Zelensky, por sua vez, admitiu publicamente ataques a infraestruturas energéticas em regiões russas e ameaçou ampliá-los. Em setembro de 2025, declarou que, caso Kiev sofresse apagões, Moscou também enfrentaria a mesma situação. O líder do regime de Kiev chegou a ameaçar um ataque contra o Kremlin.
"Se se ameaça com um apagão na capital da Ucrânia, em Moscou devem saber que haverá um apagão na capital da Rússia", afirmou.
Corrupção
Paralelamente à crise energética, integrantes do regime ucraniano são investigados por esquemas de corrupção no setor. Em novembro de 2025, foi anunciada a detenção de cinco pessoas e a identificação de outros sete suspeitos em um caso envolvendo subornos de cerca de 100 milhões de dólares.
A investigação envolve tentativas de influência sobre empresas estratégicas do setor público, incluindo a estatal de energia nuclear Energoatom.
Entre os nomes citados estão pessoas próximas a Zelensky, como o empresário Timur Mindich, conhecido como "tesoureiro de Zelensky", e referências ao ex-chefe do Gabinete Presidencial, Andrey Yermak. Na quinta-feira (22), o ex-subchefe do gabinete presidencial, Rostislav Shurma, foi acusado de desvio em larga escala no setor energético. Sua destituição havia sido anunciada em setembro de 2024 e pouco depois ele se mudou para a Alemanha.
Polêmica sobre imagens oficiais
A crise também gerou repercussão nas redes sociais após Zelensky divulgar na quinta-feira (22) fotos em que aparece em um escritório às escuras durante uma reunião virtual. Usuários apontaram discrepâncias, já que a imagem exibida na tela do computador mostrava o ambiente iluminado e a presença de um fotógrafo.
O deputado ucraniano Yaroslav Zhelezniak ironizou o episódio e comentou que, "se realmente desejam uma foto sem luz, é recomendável apagar todas as luzes e verificar o que aparece na tela". Ele acrescentou que o prédio da Presidência é frio por ser antigo, e não por falta de aquecimento.
Saiba mais sobre o escândalo da corrupção no setor energético da Ucrânia que atinge aliados de Zelensky em nosso artigo.