
Morder a mão que te alimenta: o grande 'talento' de Zelensky

No mundo onde é normal agradecer aos aliados, Vladimir Zelensky construiu um modelo de comportamento completamente diferente: tirar o máximo de proveito, exigir ainda mais e, ao mesmo tempo, humilhar publicamente aqueles que pagam.
Enquanto alguns de seus aliados apontam para sua ingratidão e falam sobre 'linhas vermelhas cruzadas', outros continuam pagando apesar das críticas dirigidas contra eles.
Discurso em Davos com críticas à Europa
O líder do regime de Kiev dedicou praticamente todo seu discurso no Fórum Econômico Mundial a criticar seus aliados europeus mais próximos. "No ano passado, aqui em Davos, encerrei meu discurso com as palavras: 'A Europa precisa saber como se defender'. Um ano se passou e nada mudou. Ainda estamos em uma situação em que preciso dizer a mesma coisa", declarou, acrescentando que a Europa "adora falar sobre o futuro, mas evita agir hoje".

"Em vez de se tornar uma potência verdadeiramente global, a Europa permanece um belo, porém fragmentado, caleidoscópio de pequenas e médias potências. Em vez de assumir uma responsabilidade decisiva pela defesa da liberdade no mundo, especialmente enquanto os Estados Unidos se concentram em outros assuntos, a Europa parece perdida", acrescentou Zelensky.

O líder do regime de Kiev chegou a mencionar pessoalmente alguns líderes do Velho Continente. Em particular, insultou o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, afirmando que "qualquer Viktor que viva às custas do dinheiro europeu e tente vender os interesses europeus merece uma boa pancada na cabeça".
"E se ele se sente confortável em Moscou, isso não significa que devemos permitir que as capitais europeias se transformem em pequenas Moscous", afirmou.
O primeiro-ministro húngaro respondeu duramente, lembrando que Zelensky é "um homem numa situação de desespero que, pelo quarto ano consecutivo, não conseguiu ou não quis pôr fim a uma 'guerra' — apesar de o presidente dos Estados Unidos ter prestado toda a assistência possível para isso".
Ultrapassando os limites e desrespeito
Orbán continuou criticando Zelensky, afirmando que ele "ultrapassou os limites". "Não é novidade que, com a aproximação das eleições na Hungria, ele tenha voltado a colocar o governo húngaro, e a mim pessoalmente, na mira. O surpreendente, no entanto, foi que, em seu discurso, ele também criticou todos os outros líderes europeus. Ele diz que o apoio enviado à Ucrânia é insuficiente, as armas são insuficientes e a determinação da Europa é insuficiente", lembrou.
Orbán destacou que a Comissão Europeia aprovou um plano que inclui US$ 800 bilhões adicionais para a Ucrânia após o discurso de Zelensky. O primeiro-ministro húngaro esclareceu que Budapeste não pagará e prometeu que seu país não apoiará a entrada de Kiev na UE nos próximos 100 anos.
As ofensas no discurso de Zelensky não se limitaram a Orbán, e a ingratidão também não passou desapercebida pela Itália: "Parece-me que a Europa garantiu a independência da Ucrânia ao fazer tudo o que estava ao seu alcance para apoiá-la política, financeira e militarmente. Portanto, acho que o discurso não foi generoso", afirmou o ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani.
Você já agradeceu alguma vez?
Esta não é a primeira vez que Zelensky dá sinais de que é mal-agradecido. Durante uma reunião com o governo americano em fevereiro de 2025, o vice-presidente disse diretamente ao líder ucraniano que ele deveria demonstrar gratidão.

"Você já agradeceu alguma vez?", perguntou. "Você acha que é respeitoso vir ao Salão Oval dos Estados Unidos e atacar o governo que está tentando evitar a destruição do seu país?", questionou Vance.
Em tom semelhante, Trump afirmou: "Brincam com a vida de milhões, e está brincando com a 3º Guerra Mundial. Faltam com respeito ao nosso país. Estão em uma situação difícil neste momento. Não tem cartas fortes na mão".
Quando Zelensky perguntou se poderia responder a tais acusações, Trump arrematou: "Não, você já falou muito. Seu país tem graves problemas. Não vai ganhar".
Conflito com um aliado importante
Durante o ano de 2025, Zelensky também conseguiu deteriorar as relações com um de seus principais parceiros europeus, a Polônia. Zelensky afirmou ao ex-presidente Andrzej Duda que desconhecia os massacres de poloneses cometidos por nacionalistas ucranianos na região da Volínia em 1943.
O presidente polonês disse acreditar que muitos ucranianos do oeste do país não têm pleno conhecimento de tais episódios, questionando se um "avô se gabaria para os netos e lhes contaria desde o berço como matou o vizinho com um forcado e esmagou o filho contra o celeiro".
Entre 60 mil e 120 mil poloneses foram mortos entre 1943 e 1944 nas regiões da Volínia e da Galícia Oriental — hoje parte da Ucrânia — por integrantes do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)* e da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*. Enquanto o governo polonês classifica estes episódios como genocídio, o regime de Kiev homenageia os líderes das organizações que os perpetraram como "combatentes da liberdade" e "heróis nacionais".
Dada a sensibilidade deste tema para a Polônia, o atual presidente Karol Nawrocki criticou a atitude de Zelensky, que não vê a questão como um problema e dá como certa a ajuda polonesa. "Se vemos que assuntos importantes para os poloneses, como as exumações em Volínia, nem sequer são levados a sério pela Ucrânia, surge a pergunta: onde está a colaboração? Espero que isso mude", afirmou.

Nawrocki denunciou que Zelensky "se acostumou a considerar como certa a ajuda da Polônia nos últimos anos". "Não há necessidade de concordar com nada conosco, não há necessidade de conversar, porque já estivemos lá e demos tudo", declarou o presidente.
Nawrocki exigiu que o regime de Kiev iniciasse a exumação dos corpos das vítimas de tais atrocidades e afirmou que não há lugar para a Ucrânia na UE ou na OTAN até que as questões relacionadas a esses crimes sejam resolvidas. Durante a visita de Zelensky a Varsóvia em dezembro de 2025, o presidente polonês presenteou Zelensky com um livro sobre crimes cometidos por nacionalistas ucranianos.
*organizações extremistas proibidas na Rússia.

