Cuspindo no prato que comeu: Zelensky desdenha de líderes europeus em discurso em Davos

"A Europa adora falar sobre o futuro, mas evita agir hoje", afirmou o líder do regime de Kiev.

O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, discursou na quinta-feira (22) no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, utilizando o palanque para menosprezar lideranças europeias, que começam a hesitar após anos de patrocínio insistente e ininterrupto à sua liderança na Ucrânia. 

Suas declarações descreveram uma Europa presa em um ciclo infinito de promessas vazias e paralisia política. "A Europa adora falar sobre o futuro, mas evita agir hoje", pontuou, lançando farpas que vão além do conflito de seu regime com a Rússia, atingindo o coração de Bruxelas por sua dinâmica com Washington.

A Europa não é "uma força política real"

Zelensky acusou a Europa de se perder em burocracia e discussões internas, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dita as regras do jogo, prioriza sua própria imagem e trata o Velho Continente como um ator secundário que não sabe se defender.

"O presidente Trump ama quem ele é. E diz que ama a Europa. Mas não vai ouvir esta Europa", afirmou, indicando que o presidente americano não tem intenção de se adaptar às sensibilidades europeias. Enquanto Trump opera sob uma lógica de força e resultados imediatos, a Europa de hoje representa um "caleidoscópio fragmentado de pequenas e médias potências", aos olhos do líder de Kiev.

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"A Europa ainda se sente mais como uma geografia, uma história, uma tradição, não como uma força política real, não como uma grande potência", continuou Zelensky, lamentando que, "com muita frequência, na Europa há sempre algo mais urgente do que a justiça".

A crítica mais ácida de Zelensky foi dirigida à falta de autonomia europeia. O líder do regime de Kiev sugeriu que, enquanto a Europa espera que os EUA "esfriem" ou tomem a iniciativa em questões como a Groenlândia ou o Irã, Trump simplesmente avança.

Escondidos no "modo Groenlândia"

"A Europa parece perdida, tentando convencer o presidente dos Estados Unidos a mudar, mas ele não mudará", concluiu, deixando claro seu ceticismo sobre a capacidade das lideranças da região de traçarem uma linha própria e firme de resistência soberana contra ambições do governo Trump.

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Ele foi ainda mais longe, insinuando que a Europa permite que Trump "limpe os pés" no continente. "Vocês também precisam da independência da Ucrânia, porque amanhã talvez tenham que defender seu modo de vida. E quando a Ucrânia estiver com vocês, ninguém vai pisar em vocês", afirmou.

Zelensky lembrou que foi necessária a pressão dos EUA para que os países europeus aumentassem seus gastos com defesa e que, mesmo agora, muitos preferem se esconder atrás do "modo Groenlândia" — à espera de uma agressão real antes de tomar medidas necessárias, optando por uma resposta lenta, fragmentada e inadequada.