O mais alto tribunal criminal da Espanha arquivou, pela segunda vez, na quinta-feira (22), a investigação sobre o uso do software Pegasus para espionagem de celulares de autoridades de alto escalão do governo espanhol, incluindo o presidente do governo, Pedro Sánchez e a ministra da Defesa, Margarita Robles. A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Guardian.
A investigação teve início em maio de 2022, depois que se descobriu que telefones de importantes integrantes do governo espanhol haviam sido infectados pelo spyware Pegasus. De acordo com seu fabricante, o Grupo NSO, o software é vendido apenas a órgãos estatais. O caso levou à demissão da então chefe da inteligência espanhola, Paz Esteban, e ao reconhecimento de falhas no Centro Nacional de Inteligência (CNI).
O juiz José Luis Calama, da Audiência Nacional de Madri, afirmou que a apuração não pôde avançar devido à impossibilidade de identificar os responsáveis pelos ataques. Segundo ele, a falta de cooperação das autoridades israelenses impediu a atribuição de autoria a qualquer pessoa ou entidade específica.
Ainda de acordo com Calama, a recusa de Israel em fornecer informações configurou violação de dois acordos jurídicos internacionais assinados pelo país, além do "princípio da boa-fé" nas relações entre Estados.
A investigação já havia sido encerrada em julho de 2023, mas foi reaberta meses depois, após autoridades francesas compartilharem dados sobre o uso do Pegasus para infectar celulares de ministros, parlamentares, advogados e jornalistas na França.