O que se sabe sobre a primeira cúpula trilateral entre Rússia, EUA e Ucrânia

Abu Dhabi sedia o primeiro diálogo direto entre Moscou e Kiev desde o início do conflito, com participação norte-americana.

Representantes da Rússia, dos Estados Unidos e da Ucrânia se reúnem nesta sexta-feira (23), em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para a primeira cúpula trilateral desde o início do conflito armado na Ucrânia. O encontro inédito busca abrir um canal direto de diálogo entre as partes, com mediação norte-americana.

A reunião ocorre em meio a esforços diplomáticos para avançar em uma solução negociada e conta com delegações políticas, militares e econômicas dos três países.

Rússia

A delegação russa será composta por representantes do Ministério da Defesa e será liderada pelo chefe do Departamento Central de Inteligência da Rússia (GRU), o vice-almirante Igor Kostiukov.

Também participa das conversações o enviado especial da Presidência russa e diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, responsável pelo grupo de assuntos econômicos bilaterais. Ele deve se reunir com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff.

Ucrânia

A delegação ucraniana inclui o secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, Rustem Umerov; o chefe do Gabinete do presidente Vladimir Zelensky, Kirill Budanov*; o primeiro subchefe do gabinete, Sergey Kislitsa; o líder parlamentar do partido governista Servidor do Povo, David Arakhamia; e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Andrey Gnatov.

Ao divulgar a composição da equipe durante discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, na quinta-feira (22), Zelensky reconheceu que o formato trilateral nos Emirados Árabes Unidos representa uma alternativa melhor do que a ausência total de negociações.

Estados Unidos

A delegação norte-americana será liderada por Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, e por Josh Gruenbaum, comissário do Serviço Federal de Aquisições da Administração de Serviços Gerais.

O enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, também estará em Abu Dhabi, onde conduzirá negociações econômicas paralelas com Kirill Dmitriev. Entre os temas em discussão estão o funcionamento do Conselho da Paz e a possível contribuição russa de até US$ 1 bilhão ao seu orçamento, a partir de ativos russos congelados nos Estados Unidos.

Moscou propõe que o restante dos fundos bloqueados seja destinado futuramente à reconstrução de territórios afetados pelo conflito, após a assinatura de um tratado de paz entre Rússia e Ucrânia.

Expectativa por avanços

O assessor presidencial russo Yuri Ushakov afirmou que os Estados Unidos tiveram papel relevante na preparação do encontro. "Eles esperam que esta reunião seja bem-sucedida e abra perspectivas de progresso em toda a gama de questões relacionadas ao fim do conflito e à obtenção de um acordo pacífico", declarou.

Zelensky, por sua vez, afirmou que ambas as partes precisam estar dispostas a fazer concessões e afirmou que, mesmo em nível técnico, espera que o diálogo produza resultados. Na quinta-feira (22), ele se reuniu a portas fechadas com Donald Trump à margem do Fórum de Davos, sem divulgação do conteúdo da conversa.

Antes da cúpula em Abu Dhabi, representantes da Casa Branca viajaram a Moscou, por iniciativa russa, para negociações diretas com o presidente Vladimir Putin. Segundo Moscou, também foram discutidos os contatos recentes entre Trump e Zelensky e outras iniciativas diplomáticas sobre o conflito.

"O ponto central é que, sem resolver a questão territorial de acordo com a fórmula acordada em Anchorage, não é possível alcançar uma solução de longo prazo", afirmou Ushakov.

Nesta sexta-feira (23), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reiterou que a retirada das forças ucranianas do Donbass é considerada uma condição fundamental por Moscou. Ele acrescentou que outros temas permanecem na agenda das negociações, sem detalhá-los.

* Budanov está incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.