
Alemanha teme por reservas de ouro armazenadas nos EUA

A linha do governo de Donald Trump acionou os alarmes em um de seus históricos aliados europeus — a Alemanha. Economistas alemães, em massa, expressam receios em relação ao fato de que reservas de ouro do país estão armazenadas na Reserva Federal dos EUA, em Nova Iorque, informou a mídia nacional Bild, na quinta-feira (22).

A agência reporta que a soma total de reservas da Alemanha em ouro alcança 3.352 toneladas, que constituem a segunda maior reserva nacional de ouro do mundo, superada somente pelos Estados Unidos. O total de barras tem um valor atual de cerca de 450 bilhões de euros (cerca de R$2,79 trilhões), valor que disparou em comparação aos 270 bilhões de euros (cerca de R$ 1,67 trilhões) ao final de 2024, devido aos recordes de preço do metal. Quase metade desse montante, entretanto, está depositado por Berlim em Nova York.
Diante do cenário político e econômico instável promovido por Trump e seus recentes atritos com a Europa, existe na Alemanha uma preocupação crescente de que armazenar essas enormes reservas de ouro nos EUA possa ser muito arriscado. Alguns especialistas — inclusive o ex-chefe de pesquisa do Bundesbank, Emanuel Mönch, e a porta-voz das finanças do Partido Verde, Katharina Beck, entre outros — propõem a repatriação dessas reservas.
Por sua vez, presidente do Centro de Pesquisa Econômica Europeia (ZEW), Achim Warnbach, comentou que "atualmente os EUA não são um parceiro confiável da União Europeia". Warnbach indica que devem ser reavaliadas as "dependências decorrentes do armazenamento das reservas de ouro alemãs nos EUA".
A Associação de Contribuintes Europeus, ao jornal Rheinische Post na quinta-feira (22), arrematou o imperativo compartilhado entre os proponentes: "Nosso ouro não está seguro com Trump".
Governo alemão rejeita repatriação
De acordo com o Bild, o governo alemão e o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, rejeitaram a realocação das reservas, até o momento. Durante a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) realizada em Washington, em outubro do ano passado, Nagel elogiou as "excelentes condições de armazenamento" do ouro alemão nos EUA.
Por sua vez, Clemens Fuest, presidente do Instituto IFO da Alemanha, que analisa a política econômica e o clima do mercado, desaconselha uma "repatriação precipitada das reservas de ouro alemãs". O especialista acredita que uma medida desse tipo "só iria piorar a situação atual". "Isso deveria ser abordado em uma situação em que não haja um conflito grave", acrescentou.
Da mesma forma, o diretor do Instituto Econômico Alemão (IW), Michael Hüther, também deseja que o ouro permaneça em Nova York. "Logisticamente, uma repatriação não seria muito complicada. A única questão é qual seria o benefício. Por razões de política monetária, pode ser sensato manter o ouro nos EUA para certas transações. Em última instância, o Bundesbank, no máximo, economizaria algo em custos de armazenamento. Certamente, isso não impressionaria Trump", declarou.

