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Trump revoga convite enviado ao Canadá para integrar o Conselho de Paz da Faixa de Gaza

O governo canadense não havia se posicionado sobre a oferta da Casa Branca. No entanto, o ministro das Finanças do país afirmou que Ottawa não está disposta a pagar a quantia bilionária requisitada por Washington para uma vaga permanente no conselho.
Trump revoga convite enviado ao Canadá para integrar o Conselho de Paz da Faixa de GazaGettyimages.ru / Chip Somodevilla

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta quinta-feira (22) que revogou o convite ao Canadá para participar do Conselho de Paz, que tem como objetivo monitorar a situação na Faixa de Gaza.

"Prezado Primeiro-Ministro [Mark] Carney: O Conselho da Paz informa que está retirando o convite para o Canadá participar daquela que será a mais prestigiosa reunião de líderes já realizada", disse o presidente norte-americano em uma publicação na rede Truth Social.

Até o momento, o governo canadense não emitiu uma resposta oficial. Carney havia inicialmente aceitado, segundo a imprensa estatal canadense, a proposta de aderir à iniciativa de Trump, embora no domingo (18) tenha esclarecido que seus assessores ainda não haviam analisado todos os detalhes referentes à estrutura, ao funcionamento e à alocação de recursos. 

O Ministro das Finanças do país, François-Philippe Champagne, afirmou que o Canadá não pretende pagar o bilhão de dólares solicitado por Trump em troca de uma vaga permanente no Conselho.

Um concorrente da ONU?

Donald Trump realizou nesta quinta-feira a cerimônia de assinatura dos estatutos de seu Conselho da Paz. "Hoje, o mundo é mais rico, mais seguro e muito mais pacífico do que era há apenas um ano", afirmou em seu discurso.

"Assim que o Conselho estiver totalmente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. Faremos isso em parceria com a ONU", observou o mandatário norte-americano.

A lista de fundadores da organização, além do presidente dos Estados Unidos, inclui os líderes da Argentina, Armênia, Belarus, Indonésia, Azerbaijão, Hungria, Cazaquistão, Paquistão e outros países.

Anteriormente, havia sido noticiado que cerca de 60 países haviam sido convidados a participar da organização, informou a Bloomberg. De acordo com o enviado especial do presidente dos estados Unidos, Steve Witkoff, citado pela CBS News, cerca de 25 países aceitaram o convite.

Preocupações sobre poderes do conselho

Notícias da imprensa internacional indicam que a ideia de Trump poderia competir com a ONU. O Financial Times relatou que o documento fundador do conselho destaca a necessidade de um "órgão internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz".

"O Conselho da Paz é uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legal e garantir a paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos", afirma o estatuto citado pelo jornal.

Entretanto, um funcionário americano disse ao portal Axios que o órgão não se concentrará exclusivamente em Gaza.