O conselheiro presidencial russo Yuri Ushakov forneceu detalhes sobre o encontro de Vladimir Putin nesta quinta-feira (22) com o enviado da Casa Branca, Steve Witkoff.
"As negociações duraram aproximadamente quatro horas e foram construtivas e informativas, e eu diria que extremamente francas e baseadas na confiança", afirmou.
Ushakov afirmou que a reunião teve como foco a coleta de informações e o desenvolvimento de ações futuras, acrescentando que o lado americano informou Moscou sobre o conteúdo das conversas entre Trump e Zelensky em Davos e de outras reuniões sobre a resolução do conflito ucraniano.
"O encontro entre o presidente russo e os representantes americanos teve como foco específico a obtenção de informações sobre os resultados dos contatos dos americanos com os ucranianos e parceiros europeus. E então, juntos, definiram os parâmetros para ações futuras", disse ele.
Reunião trilateral em Abu Dhabi
Ushakov confirmou que a primeira reunião trilateral de segurança entre a Rússia e a Ucrânia acontecerá na sexta-feira em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A delegação russa será chefiada por Igor Kostyukov, chefe da Diretoria Principal do Estado-Maior das Forças Armadas.
O assessor russo acrescentou que também ocorrerá uma reunião bilateral entre o enviado da Rússia, Kirill Dmitriev, e Witkoff sobre questões econômicas .
Questão territorial
Ushakov enfatizou a importância da questão territorial para a resolução do conflito ucraniano.
"O ponto principal é que, durante essas negociações entre o nosso presidente e os americanos, foi reafirmado que, sem resolver a questão territorial de acordo com a fórmula acordada em Anchorage, não vale a pena contar com uma solução de longo prazo ", declarou ele.
O alto funcionário afirmou que Moscou está "genuinamente interessada em resolver a crise ucraniana por meios políticos e diplomáticos", mas até que isso aconteça, "a Rússia continuará a perseguir consistentemente os objetivos da operação militar especial no campo de batalha, onde as Forças Armadas Russas detêm a iniciativa estratégica".
Conselho de Paz de Trump, Groenlândia e relações bilaterais
Ushakov também informou que a reunião abordou o Conselho da Paz, recentemente estabelecido por iniciativa do presidente dos EUA, Donald Trump. Ele reiterou a disposição da Rússia em contribuir com US$ 1 bilhão em ativos russos congelados nos Estados Unidos para o orçamento do Conselho.
"Os fundos remanescentes de nossas reservas congeladas nos EUA poderiam ser usados para reconstruir territórios danificados durante os combates após a assinatura de um tratado de paz entre a Rússia e a Ucrânia", disse o alto funcionário, acrescentando que a questão do uso de recursos russos seria abordada na reunião bilateral entre Kirill Dmitriev e Witkoff.
Quem participou da reunião?
Delegação russa:
- Vladimir Putin, Presidente da Rússia;
- Yuri Ushakov, conselheiro presidencial russo;
- Kirill Dmitriev, enviado especial da Presidência da Rússia e CEO do Fundo Russo de Investimento Direto.
Delegação dos Estados Unidos:
- Steve Witkoff, o enviado da Casa Branca;
- Jared Kushner, conselheiro sênior e genro de Donald Trump;
- Josh Gruenbaum, assessor da Casa Branca e comissário do Serviço Federal de Aquisições dos Estados Unidos.
Diálogo entre Rússia e Estados Unidos
- Esta é a segunda visita conjunta de Witkoff e Kushner à capital russa, embora o próprio Witkoff tenha se reunido com Putin em diversas ocasiões em 2025. Moscou enfatizou que considera a continuidade do diálogo com Washington "necessária, relevante e importante".
- O presidente russo reiterou diversas vezes o compromisso de Moscou em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Em particular, enfatizou que a segurança da Rússia a longo prazo deve ser garantida em primeiro lugar e, portanto, é importante eliminar as causas profundas do conflito, incluindo a expansão da OTAN, que Moscou considera uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
- A proposta de Moscou estipula que Kiev retire completamente suas tropas das Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk e das províncias de Zaporozhie e Kherson (incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022) e reconheça esses territórios, bem como a Crimeia e Sebastopol, como integrantes da Federação da Rússia. Além disso, exige garantias de neutralidade, não alinhamento, desnuclearização, desmilitarização e desnazificação da Ucrânia.
- O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, enfatizou que os Estados Unidos são "o único país ocidental preparado para enfrentar a tarefa de eliminar as causas profundas" do conflito armado na Ucrânia.