O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recusou-se nesta quinta-feira (22) a dar detalhes sobre quando as eleições poderiam ser realizadas na Venezuela, dizendo que sua prioridade é "arrecadar muito dinheiro".
"Em primeiro lugar, eles precisam... sabe, precisamos arrecadar muito dinheiro para recuperar isso agora. Eles não estão vivendo bem por causa do que vem acontecendo há anos. Na verdade, são anos de socialismo", argumentou ele, após uma pergunta da imprensa.
Embora Trump tenha atribuído a situação econômica da Venezuela à má gestão das autoridades locais, Washington impôs, por mais de uma década, mais de mil sanções que impactaram significativamente a economia do país.
A lista inclui, entre outras coerções, a impossibilidade de comercializar petróleo bruto – a principal fonte de recurso –, a expulsão do sistema financeiro internacional, a confiscação ilegal de bens, bem como punições para países terceiros e empresas que ousaram contornar o bloqueio.
As medidas foram acompanhadas de inúmeras pressões diplomáticas e políticas, e ameaças de uso da força, que se concretizaram em 3 de janeiro de 2023, com o bombardeio de Caracas pelas forças norte-americanas e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Por outro lado, Delcy Rodríguez, vice-presidente do governo liderado por Maduro, assumiu o cargo de presidente encarregada da nação bolivariana em 5 de janeiro, após decisão do Supremo Tribunal de Justiça que interpreta os artigos do texto constitucional relativos à cadeia de comando, uma vez que não contemplam a situação específica da remoção ilegal do chefe de Estado.
Agressão dos EUA e sequestro de Maduro
- Sob o pretexto de combater o narcoterrorismo, os EUA lançaram uma agressão militar maciça em 3 de janeiro em território venezuelano, afetando Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação culminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. As áreas visadas eram principalmente de interesse militar, abrigando sistemas de defesa aérea e infraestrutura de comunicações, embora áreas urbanas também tenham sido afetadas, resultando em vítimas civis.
- Caracas descreveu as ações de Washington como uma "agressão militar gravíssima" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país".
- Diversos países ao redor do mundo, incluindo Rússia e China, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência externa.
- Segundo o Ministério do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, pelo menos 100 pessoas morreram no ataque, incluindo 32 cubanos do grupo que protegia Maduro.
- No domingo (18), o governo venezuelano negou categoricamente as reportagens da Reuters sobre supostas conversas entre o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e os Estados Unidos antes do sequestro de Maduro. Refutaram também as "notícias falsas" sobre uma suposta condecoração de agentes de inteligência estrangeiros, afirmando que se tratava de uma campanha para semear desconfiança dentro das forças governantes.