
Trump: 'Delcy Rodríguez demonstrou até agora uma liderança muito forte'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira (22) que a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, "demonstrou até agora uma liderança muito forte". O comentário do mandatário norte-americano veio após ser questionado pela imprensa sobre se planejava mantê-la no poder, que ela assumiu após o sequestro de Nicolás Maduro durante um ataque dos Estados Unidos a Caracas.
"Bem, neste momento eles têm uma liderança muito forte", disse Trump.
"Delcy tem demonstrado uma liderança muito forte até agora, devo dizer. Milhões de barris de petróleo estão chegando aos Estados Unidos neste momento", continuou ele.
"Mais de 50 milhões de barris de petróleo já entraram ou estão entrando nos Estados Unidos, e muitos mais estão a caminho", afirmou.
"Estamos trabalhando com eles. Eles receberão uma parte e nós receberemos outra. E isso será dividido, e nosso país se enriquecerá. Isso significa que nossos impostos diminuirão. E eles ficarão em melhor situação. A Venezuela estará melhor do que nunca. Se isso continuar, mesmo com a nossa parte justa, a Venezuela estará muito melhor do que nunca. Eles ficarão muito ricos. E ela fez um ótimo trabalho", reiterou ele.
Vendas de petróleo para os EUA

Anteriormente, Delcy Rodríguez informou seu país que US$ 300 milhões haviam sido arrecadados com a venda de petróleo. Em 7 de janeiro, a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) anunciou que negociações estavam em andamento com Washington para a "venda de volumes de petróleo bruto no âmbito das relações comerciais existentes entre os dois países", em estrita conformidade com os "critérios de legalidade, transparência e benefício mútuo".
A empresa estatal venezuelana foi uma das empresas sancionadas pelos EUA. Entre 2015 e junho de 2020, sua produção caiu 87%, passando de uma média de 2,4 milhões de barris por dia para 339 mil barris em junho de 2020. Para cada cem dólares em moeda estrangeira, o país deixou de receber 99 em sete anos.
Agressão dos EUA e sequestro de Maduro
- Sob o pretexto de combater o narcoterrorismo, os EUA lançaram uma agressão militar maciça em 3 de janeiro em território venezuelano, afetando Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação culminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. As áreas visadas eram principalmente de interesse militar, abrigando sistemas de defesa aérea e infraestrutura de comunicações, embora áreas urbanas também tenham sido afetadas, resultando em vítimas civis.
- Caracas descreveu as ações de Washington como uma "agressão militar gravíssima" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país".
- Diversos países ao redor do mundo, incluindo Rússia e China, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência externa.
- Segundo o Ministério do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, pelo menos 100 pessoas morreram no ataque, incluindo 32 cubanos do grupo que protegia Maduro.
- No domingo (18), o governo venezuelano negou categoricamente as reportagens da Reuters sobre supostas conversas entre o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e os Estados Unidos antes do sequestro de Maduro. Refutaram também as "notícias falsas" sobre uma suposta condecoração de agentes de inteligência estrangeiros, afirmando que se tratava de uma campanha para semear desconfiança dentro das forças governantes.
