VÍDEOS: nevasca em Kamchatka apaga a fronteira entre realidade e IA

Vídeos que viralizaram nas redes sociais, exibindo quantidades enormes de neve acumulada na península russa, provocaram uma onda de discussões sobre sua autenticidade.

Imagens impressionantes das nevascas recordes que cobriram a Península de Kamchatka, no Extremo Oriente da Rússia, viralizaram nas redes sociais nos últimos dias. Contudo, um detalhe fundamental marcou explicitamente a cobertura desse espetáculo extremo de inverno: a maioria das imagens publicadas foi gerada por inteligência artificial.

Grandes veículos de comunicação publicaram vídeos que exibem crianças deslizando em tobogãs feitos de neve, que alcançariam 5, 7 andares de altura em comparação a um edifício residencial. As imagens chocam e entretêm, mas não são reais.

Muitas delas destoam dos retratos fantásticos e quase apocalípticos de desertos de gelo, enganando com sua sutileza, enquanto são alternadas com gravações autênticas.

Os vídeos fraudulentos, porém, ainda são perceptíveis pela representação de acúmulos colossais de uma neve lisa, macia e imóvel, mesmo sob o peso daqueles que caminham sobre ela e até contra o impacto de esquis em alta velocidade.

Esses supostos registros contrariam leis da física e as propriedades reais de um fenômeno que é, simplesmente, um acúmulo de cristais de gelo — úmidos, frágeis e instáveis.

A região de Kamchatka de fato registrou a maior nevasca dos últimos 30 anos e ficou paralisada pelos acúmulos de neve, provocando a decretação de estado de emergência no dia 14 de janeiro.

Muitos moradores locais tiveram dificuldades para desenterrar seus carros da neve em muitas áreas urbanas, enquanto semáforos geralmente distantes do solo chegaram ao alcance de qualquer pedestre que caminhasse sobre a altura soterrada.

Durante o mês, a precipitação atingiu 370 mm, atingindo um patamar de 316% da média mensal. A neve acumulada, entretanto, não atingiu a altura de um prédio de 7 andares, hiperbolizada nos vídeos que circulam nas redes e na imprensa; o máximo registrado foi entre 2 e 2,5 andares.