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Bases, minerais e vantagens geopolíticas: o que Trump ganha com acordo sobre Groenlândia

Fontes anônimas citadas pela imprensa internacional revelam detalhes de um entendimento alcançado à sombra de ameaças de expansão agressiva dos EUA.
Bases, minerais e vantagens geopolíticas: o que Trump ganha com acordo sobre GroenlândiaGettyimages.ru / Steffen Trumpf

O acordo sobre a Groenlândia anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não prevê a venda da ilha aos EUA, informou na quinta-feira (22) o jornal britânico The Telegraph, citando fontes anônimas.

Ao invés da aquisição financeira, o acordo firmado em Davos permitirá que Washington exerça controle soberano sobre bases militares em partes da ilha. O país poderá realizar operações militares, atividades de inteligência e exercícios, bem como explorar terras raras.

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O jornal compara a proposta com as bases britânicas em Chipre, país insular no Mar Mediterrâneo, observando que as instalações militares na Groenlândia também seriam consideradas território americano.

Um porta-voz da OTAN afirmou que a reunião entre o presidente Trump e o secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, "foi muito produtiva" e que as negociações entre a Dinamarca, a ilha e os EUA continuarão para garantir "que a Rússia e a China nunca obtenham presença na Groenlândia — nem econômica, nem militar".

A agência americana de notícias Axios, por sua vez, confirmou esta informação e acrescentou que o acordo prevê o aumento da segurança no território dinamarquês e da atividade da OTAN no Ártico, bem como um trabalho adicional sobre matérias-primas. Também é mencionada uma possível implantação do sistema "Domo de Ouro" na Groenlândia concebido por Trump como um ambicioso projeto antimísseis para o território americano, utilizando satélites em órbita terrestre baixa.

O quadro do acordo

O presidente americano havia declarado na quarta-feira (21) que o quadro para um futuro acordo sobre a ilha e toda a região do Ártico foi estabelecido em sua reunião com Mark Rutte.

"Esta solução, se concretizada, será muito benéfica para os Estados Unidos e todos os países da OTAN", afirmou Trump. "Diante deste entendimento, não irei impor as tarifas que deveriam entrar em vigor em 1º de fevereiro", declarou, recuando em sua ameaça de impor a medida punitiva contra países que participaram dos exercícios militares "Arctic Endurance" na Groenlândia, entre 15 e 17 de janeiro.

Ao responder a perguntas da imprensa, Trump afirmou que seu país obteve "tudo o que queria".

"É um acordo definitivo de longo prazo. Acredito que coloca todos em uma posição muito boa, especialmente no que diz respeito à segurança, aos minerais e a todo o resto".

As ambições de Trump

Durante sua intervenção no Fórum Econômico Mundial de Davos, na quarta-feira (21), Trump exigiu a abertura de "negociações imediatas" para a aquisição da Groenlândia.

"Não seria uma ameaça para a OTAN", declarou.

O presidente americano descreveu o território insular da Dinamarca como um "pedaço de gelo", que ele avalia necessário obter por razões de segurança internacional. "O que estou pedindo é um pedaço de gelo, muito frio e mal localizado, que pode desempenhar um papel vital na paz mundial e na proteção mundial", declarou.