Trump exalta acordo de 'acesso total', 'sem limite' para acesso à Groenlândia

O presidente americano recuou nas ameaças de tarifas punitivas contra países europeus na quarta-feira (21), após uma reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte.

O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a um acordo com a OTAN de "acesso total" à Groenlândia, afirmou em uma entrevista à Fox News nesta quinta-feira (22).

"Não há fim. Não há limite de tempo. Não estamos fazendo um contrato de 99 anos, nem de 10 anos, nem nada parecido", declarou Trump. "Teremos todo o acesso militar que quisermos. Poderemos colocar o que precisarmos na Groenlândia porque queremos. Estamos falando de segurança nacional e segurança internacional."

Trump afirmou que, após uma reunião "muito produtiva" com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, "foi estabelecido o quadro" para um futuro acordo sobre a Groenlândia e o Ártico, e afirmou que, devido a esse entendimento, decidiu não avançar com o plano de impor tarifas punitivas a países europeus que participaram dos exercícios militares "Arctic Endurance" na ilha entre os dias 15 e 17 de janeiro.

Segundo ele, atualmente há conversas "adicionais" sobre o sistema americano de defesa antiaérea Golden Dome em relação à Groenlândia, qualificado por Trump como necessário para a "segurança nacional" dos EUA.

O presidente americano indicou ainda que não está disposto a pagar nada pela aquisição da ilha e que a única coisa que seu país terá que financiar é a construção do Domo de Ouro.

"Percebi que o mercado de valores subiu substancialmente depois que fizemos o anúncio. Mas os detalhes estão sendo negociados agora. Será muito bom", acrescentou Trump, avaliando que seus planos serão "muito bem-sucedidos" e bem recebidos pelo resto do mundo.

Avanço na OTAN

As declarações acompanham as posições controversas de Mark Rutte, que sugeriu durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos na quarta-feira (21) que a Europa deveria sentir gratidão pela eleição de Donald Trump.

"Acredito sinceramente que podemos ficar felizes por ele estar lá, porque ele nos obrigou, na Europa, a intensificar nossos esforços, a encarar as consequências de termos que cuidar mais da nossa própria defesa", declarou Rutte.

Segundo o secretário-geral, sem a pressão de Trump, as contribuições dos países-membros da Aliança Atlântica para a defesa do continente ainda estariam na taxa de 2% do PIB, acordado em 2014, ao invés do novo patamar de 5%. "Estou absolutamente convencido de que, sem Donald Trump, vocês não teriam tomado essas decisões, e elas são cruciais", afirmou Rutte durante.