
Enviado especial de Trump viaja a Moscou para se encontrar com Putin: o que esperar?

O enviado especial da Casa Branca, Steven Witkoff, e o genro de Donald Trump, Jared Kushner — ambos envolvidos nos esforços para intermediar um acordo de paz que encerre o conflito na Ucrânia — devem chegar a Moscou na noite desta quinta-feira (22), onde têm um encontro previsto com o presidente russo, Vladimir Putin.
Essa será a segunda visita conjunta dos dois representantes norte-americanos à capital russa. Witkoff, por sua vez, já se reuniu com Putin em outras ocasiões ao longo de 2025.
De acordo com o Kremlin, a agenda de Putin para o dia inclui uma reunião com Witkoff. Entre os temas previstos, estão a evolução do conflito na Ucrânia e a possível participação do presidente russo no Conselho de Paz — organização criada por Donald Trump com o objetivo de administrar o Governo de Gaza.
Resolução do conflito ucraniano
Witkoff afirmou na quarta-feira (21) que "progressos significativos foram alcançados nas negociações com a Rússia sobre a Ucrânia". Segundo ele, "[Houve] muito progresso nas últimas seis a oito semanas". As declarações foram feitas em entrevista à CNBC, à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos.
O enviado especial acrescentou que ele e Jared Kushner pretendem se reunir com autoridades ucranianas antes do encontro com Putin. "Espero que tenhamos boas notícias para anunciar em breve", afirmou.

O enviado especial de Trump explicou que as negociações têm como base o plano de paz norte-americano de 20 pontos. "Acho que chegamos agora a acordos sobre a questão territorial — que era o grande obstáculo — e temos ideias muito promissoras nesse campo. Espero que possamos avançar nessa direção", afirmou.
Mais tarde, Witkoff acrescentou que as conversas sobre o conflito na Ucrânia se reduziram à solução de "uma única questão".
"Discutimos diversas variações dessa questão, o que demonstra que ela tem solução. Se ambos os lados realmente quiserem resolvê-la, então ela será resolvida — essa é a minha visão", disse durante o Café da Manhã Ucraniano, evento paralelo ao Fórum Econômico Mundial em Davos.
Conselho de Paz
Também na quarta-feira, Putin confirmou que recebeu um "convite pessoal" de seu homólogo norte-americano para participar da "nova estrutura internacional que está sendo criada por sua iniciativa" e garantiu que Moscou está preparada para destinar US$ 1 bilhão (R$ 5,32 bilhões ou 78 bilhões de rublos russos) ao Conselho de Paz de Trump, provenientes de fundos russos congelados nos EUA.
Ele indicou que pretende abordar essa questão durante sua reunião nesta quinta-feira com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, bem como com Witkoff e Kushner, em Moscou.
"Mesmo agora, antes de decidirmos sobre a questão da participação na composição e nos trabalhos do Conselho da Paz, dada a relação especial da Rússia com o povo palestino, poderíamos, acredito, destinar US$ 1 bilhão em ativos russos congelados durante o governo anterior dos EUA ao Conselho da Paz", declarou o presidente.
Ele informou que já instruiu o Ministério das Relações Exteriores da Rússia a analisar a proposta em detalhes.
Diálogo constante
Witkoff e Kushner já se reuniram com o presidente russo no Kremlin em 2 de dezembro de 2025.
Entretanto, a primeira visita de Witkoff a Moscou ocorreu em 11 de fevereiro daquele mesmo ano, onde ele desempenhou um papel fundamental na troca do americano Marc Fogel, condenado por tráfico e posse de drogas. Em seguida, ele participou de negociações de alto nível entre os Estados Unidos e a Rússia em Riad.
Sua segunda visita ocorreu em 13 de março, e ele foi recebido pelo presidente russo. Segundo Witkoff, a conversa, que durou entre três e quatro horas, foi "positiva". Putin lhe deu um retrato de Donald Trump para apresentar ao seu homólogo.
Posteriormente, em 11 de abril, o representante dos EUA viajou para São Petersburgo, onde se reuniu com Kirill Dmitriev, enviado especial do presidente russo para investimentos e cooperação econômica internacional, e novamente se encontrou com Putin. A conversa com o chefe de Estado russo focou em diversos aspectos de uma possível solução para o conflito na Ucrânia.
A quarta visita de Witkoff à Rússia ocorreu em 25 de abril, quando foi recebido por Putin no Kremlin. Segundo o assessor presidencial Yuri Ushakov, o encontro incluiu discussões sobre a possibilidade de retomar as negociações diretas entre Moscou e Kiev.
Em 6 de agosto, Witkoff viajou à Rússia pela quinta vez para se encontrar novamente com Putin. A conversa, descrita por Ushakov como "útil e construtiva", durou aproximadamente três horas e abordou temas como o conflito ucraniano e "as perspectivas para o possível desenvolvimento da cooperação estratégica" entre Moscou e Washington.
O enviado especial da Casa Branca também fez parte da delegação que acompanhou Trump às negociações com Putin realizadas em 16 de agosto no Alasca.

