
Von der Leyen sobrevive moção de censura contra seu mandato (outra vez)

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, subsistiu nesta quinta-feira (22) à sua quarta moção de censura em um período de seis meses, desta vez apresentada pelo grupo de extrema direita Patriotas pela Europa (PfE).
O procedimento se baseou na acusação de que o acordo UE-Mercosul, assinado por Von der Leyen no sábado (17), prejudica a soberania europeia, a segurança alimentar e os interesses dos agricultores.
Uma moção de censura é um instrumento de controle do Parlamento Europeu sobre a Comissão Europeia, possibilitando a abertura de um processo com o apoio de um décimo dos 720 eurodeputados para destituir os membros da Comissão de seus cargos, se aprovado por dois terços do Parlamento. Nenhuma das moções de censura movidas no Parlamento foram aprovadas desde sua fundação em 1952.

A atual iniciativa contra von der Leyen foi rejeitada por 390 eurodeputados, contra 165 votos a favor e 10 abstenções, longe da maioria qualificada necessária para forçar a demissão do Executivo comunitário.
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Os críticos ao acordo UE-Mercosul argumentam que a redução das tarifas e a abertura do mercado comunitário aos produtos agrícolas latino-americanos introduzem mercadorias que não necessariamente cumprem os padrões da UE.
A liderança em Bruxelas também é acusada de tentar eludir o controle democrático ao acelerar o processo e marginalizar os parlamentos nacionais, o Parlamento Europeu e as organizações agrícolas.
- O Parlamento Europeu aprovou em uma votação acirrada na quarta-feira (21) a decisão de suspender o acordo de livre comércio da União Europeia (UE) com o Mercosul e levar o pacto ao Tribunal de Justiça da UE. A medida visa adiar a implementação do acordo entre protestos de agricultores europeus e confirmar se o acordo alcançado com o Mercosul é compatível com os tratados da UE — o que os proponentes desta moção negam.
