O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou nesta quinta-feira (22) seus planos para uma "segunda onda" de ataques contra a Venezuela, mas afirmou que "não foi necessário".
A "primeira onda" incluiu o bombardeio de 3 de janeiro ao país latino-americano, que culminou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.
"Este [primeiro] ataque foi extraordinário", disse o presidente americano durante a cerimônia de assinatura da carta de seu Conselho da Paz para monitoramento do conflito em Gaza.
Um dia antes, Trump se vangloriou do uso de armas "nunca antes vistas" na operação, diante de uma pergunta sobre o emprego de um suposto "canhão sônico", sugerindo uma vanguarda tecnológica e militar dos Estados Unidos até então desconhecida. O Kremlin declarou posteriormente que a insinuação precisaria ser esclarecida. "Será necessário ouvir as explicações sobre o que o presidente dos Estados Unidos quer dizer", afirmou o porta-voz Dmitry Peskov.
Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro
- Os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano no dia 3 de janeiro. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
- Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
- Maduro se declarou inocente em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse no dia 5 de janeiro como presidente encarregada do país sul-americano.
- Diversas lideranças da comunidade internacional, dentre elas as da Rússia e da China, urgiram as autoridades americanas a libertar Maduro e sua esposa.
- O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", declarou Lavrov.