
Pressionado sob ambições de Trump, Reino Unido sinaliza giro em direção à China

Tensões entre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o presidente americano, Donald Trump, em face das reivindicações dos Estados Unidos à Groenlândia, acarretaram ao que parece um sinal de reaproximação entre o Reino Unido e a China.
Starmer visitará o gigante asiático na próxima semana com uma delegação de líderes empresariais britânicos, noticiou o veículo britânico Reuters na quarta-feira (21). Segundo a reportagem, a viagem busca reparar as relações comerciais tensas entre os dois países e renovar o diálogo comercial da "Era de Ouro". Esta será a primeira visita de um líder britânico à China desde 2018.

Uma nova embaixada
A notícia surge um dia depois da aprovação pelas autoridades britânicas da construção de uma "megaembaixada" chinesa perto da icônica Torre de Londres, provocando controvérsia e manifestações públicas.
Representantes do serviço de inteligência britânico (MI5) expressaram preocupação com a possibilidade de inclusão de salas secretas e câmeras ocultas de vigilância perto de cabos que transportam dados financeiros sensíveis. Os opositores do projeto acreditam que ele poderá se tornar um centro de espionagem no coração da capital britânica.
O Secretário de Estado para as Comunidades, Steve Reed, descartou as preocupações associadas ao edifício.
O Ministério das Relações Exteriores da China, por sua vez, afirmou que Pequim conduziu o planejamento da nova embaixada em total conformidade com as práticas diplomáticas internacionais e as leis e regulamentos pertinentes.
"Não cederei" a Trump
O premiê Starmer declarou na quarta-feira (21) que não cederia às ambições de Trump de se apropriar da Groenlândia nem às suas tarifas econômicas, posteriormente canceladas diante de um acordo entre lideranças europeias e o presidente americano em relação ao território.
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"Deixei clara a minha posição sobre os nossos princípios e valores. Primeiramente, o futuro da Groenlândia pertence exclusivamente ao povo da Groenlândia e ao Reino da Dinamarca. Em segundo lugar, as ameaças de tarifas para pressionar os aliados são completamente infundadas", disse ao Parlamento.
"Não cederei. O Reino Unido não recuará dos seus princípios e valores relativamente ao futuro da Groenlândia sob a ameaça de tarifas", declarou Starmer.
Dardos em Londres
Por sua vez, o presidente dos EUA acusou o Reino Unido de cometer um "ato de grande estupidez" ao pretender devolver a ilha de Diego Garcia à República da Maurícia. Diego Garcia abriga uma importante base militar americana.
Trump afirmou que a transferência do território no Oceano Índico seria realizada "sem qualquer motivo" e alertou que a China e a Rússia já haviam percebido o que ele considerou um "ato de extrema fraqueza" por parte de Londres.

