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Eurodeputado critica Von der Leyen por assinar 'sentença de morte da agricultura europeia' com Mercosul

Jean-Paul Garraud também criticou a presidente da Comissão Europeia de empregar métodos desleais para chegar ao acordo.
Eurodeputado critica Von der Leyen por assinar 'sentença de morte da agricultura europeia' com MercosulEU Debates

O eurodeputado francês Jean-Paul Garraud descreveu o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, assinado no último sábado (17), no Paraguai, como uma "sentença de morte" para a agricultura europeia, em um discurso durante uma sessão do Parlamento Europeu na terça-feira (20). 

Após repetidos protestos de agricultores e pecuaristas em vários países da União Europeia, especialmente belgasespanhóis franceses, alegando que o acordo representa concorrência desleal, o Parlamento Europeu votou acirradamente por sua suspensão na quarta-feira (21).

"A presidente [da Comissão Europeia, Ursula] von der Leyen assinou a sentença de morte da agricultura europeia com um sorriso, após 25 anos de negociações. Isso demonstra a enorme resistência que este tratado enfrentou", declarou Garraud.

Ele enfatizou que há pessoas que ainda querem "preservar o mundo agrícola", parte da história e das tradições europeias.

Confira os detalhes da assinatura do tratado, em nosso artigo.

Garraud também criticou von der Leyen pelos métodos desleais utilizados para chegar ao acordo. Segundo ele, a presidente "dividiu este acordo em dois para que nenhum Estado-membro pudesse vetá-lo".

O parlamentar lembrou ainda que von der Leyen garantiu que o tratado só seria ratificado pelo Parlamento após a sua assinatura, o que avaliou como uma manobra "antidemocrática"

Mais de 25 anos de negociação

As negociações para o acordo foram oficialmente iniciadas em 1999, na Cúpula do Rio, mas suas raízes de idealização são ainda mais antigas. As negociações, porém, logo encontraram os pontos sensíveis, com a Europa defendendo seus subsídios agrícolas e barreiras sanitárias, enquanto o Mercosul pedia maior acesso para seus produtos agropecuários.

Em maio de 2016, a UE e o Mercosul relançaram o processo de negociação. O marco importante veio em junho de 2019, com o anúncio de um acordo de princípio após 20 rodadas de negociação. A conclusão das negociações ocorreu em 2024, iniciando o complexo processo de ratificação pelos parlamentos nacionais de todas as partes envolvidas.

Resistência europeia

Um dos principais fatores que dificultaram a conclusão do acordo comercial veio do setor agrícola europeu. Durante as negociações no Parlamento Europeu no curso do ano passado, confrontos violentos entre a polícia e os produtores foram registados dias antes em frente às instalações do bloco em Bruxelas, capital da Bélgica.

As manifestações seguem neste ano. Durante mobilização organizada em 13 de janeiro pela FNSEA, uma das maiores entidades sindicais do setor agrícola francês, participantes do protestos francês afirmam que o tratado pode gerar concorrência desleal. O impacto seria especialmente pronunciado no setor de carnes, ao permitir a entrada de produtos da América Latina que, segundo eles, não estão sujeitos às mesmas exigências ambientais impostas aos produtores europeus.