
Delcy Rodríguez: 'Hoje é a nossa vez de lutar pela Venezuela'

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira (21) que o povo venezuelano está enfrentando a "batalha" mais importante que qualquer país já teve que enfrentar: a luta por sua pátria.
"Não podemos vacilar, irmãos e irmãs. Não podemos nos render. Hoje, enfrentamos a batalha pela Venezuela. É a batalha mais importante que um cidadão pode enfrentar: lutar por seu país, lutar por sua pátria. O mais importante na vida de um cidadão é sentir o que nós, venezuelanos, sentimos: orgulho de nossa história, de nossos libertadores", declarou a mandatária em reunião do Conselho de Governo Federal, órgão que reúne os diferentes níveis do Poder Executivo.

No início de seu discurso, Rodríguez afirmou o status de "prisioneiro de guerra" do presidente Nicolás Maduro, que foi sequestrado em 3 de janeiro pelas forças dos Estados Unidos juntamente com sua esposa, Cilia Flores, após uma onda de bombardeios em Caracas.
"Digo que existe um homem bom, cujas primeiras palavras foram: ' Sou prisioneiro de guerra e estou lutando '. E, com o exemplo desse homem bom, do presidente Nicolás Maduro, e com a dignidade da primeira-dama e primeira combatente, Cilia Flores, cabe a nós lutar pela Venezuela", disse ela.
Rodríguez afirmou que Maduro "é acompanhado pela história da Venezuela [...] para lhe dar força, para continuar a luta, onde quer que esteja", pela nação bolivariana.
"E não se pode esperar menos de nós. [...] Aqui está o poder nacional em toda a sua dimensão executiva. O apelo é para que nós, como bons venezuelanos, assumamos a liderança, estejamos na vanguarda e sejamos os primeiros a erguer nossa bandeira, a cantar as notas gloriosas de nosso hino nacional para continuar a luta pela Venezuela", concluiu.
Agressão dos EUA e sequestro de Maduro
- Sob o pretexto de combater o narcoterrorismo, os EUA lançaram uma agressão militar maciça em 3 de janeiro em território venezuelano, afetando Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação culminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. As áreas visadas eram principalmente de interesse militar, abrigando sistemas de defesa aérea e infraestrutura de comunicações, embora áreas urbanas também tenham sido afetadas, resultando em vítimas civis.
- Caracas descreveu as ações de Washington como uma "agressão militar gravíssima" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país".
- Diversos países ao redor do mundo, incluindo Rússia e China, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência externa.
- Segundo o Ministério do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, pelo menos 100 pessoas morreram no ataque, incluindo 32 cubanos do grupo que protegia Maduro.
No domingo (18), o governo venezuelano negou categoricamente as reportagens da Reuters sobre supostas conversas entre o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e os Estados Unidos antes do sequestro de Maduro. Refutaram também as "notícias falsas" sobre uma suposta condecoração de agentes de inteligência estrangeiros, afirmando que se tratava de uma campanha para semear desconfiança dentro das forças governantes.

