
Se o frio não causa doenças, por que adoecemos mais no frio? Pesquisadora explica associação

A crença de que o frio causa gripes e resfriados é difundida em grande parte do mundo. Estudos recentes, entretanto, demonstram que o surgimento de doenças não está ligado diretamente à exposição a baixas temperaturas.

Manal Mohammed, doutora em microbiologia pela Universidade de Liverpool, no Reino Unido, enfatiza em seu artigo publicado no The Conversation na sexta-feira (16) que as infecções respiratórias são causadas por rinovírus, que é transmitido a despeito da temperatura ambiente.
Apesar disso, a incidência de doenças respiratórias aumenta no inverno de maneira consistente ao redor do mundo, revelando uma correlação entre o frio e as infecções. Segundo Mohammed, esse aumento de casos se deve a uma combinação de fatores biológicos, ambientais e sociais que facilitam a disseminação dos agentes infecciosos durante os meses de inverno.
Não há causalidade, mas há correlação
O ar frio e seco facilita a sobrevivência dos patógenos fora do corpo humano e aumenta sua capacidade de permanecerem infecciosos por períodos mais longos. Além disso, em baixa umidade, as gotículas respiratórias evaporam rapidamente e se transformam em partículas menores que permanecem suspensas no ar, aumentando a probabilidade de serem inaladas por outras pessoas.
As defesas naturais do corpo também enfraquecem durante o inverno. Segundo Muhammad, as baixas temperaturas leva à contração dos vasos sanguíneos, que pode, por sua vez, enfraquecer a resposta imunológica local no nariz e no trato respiratório.
A cientista explica que, no inverno, as pessoas tendem a passar mais tempo em ambientes fechados com ventilação limitada, aumentando a probabilidade de transmissão de infecções entre pessoas que compartilham o mesmo espaço. Os sistemas de calefação de espaços fechados tendem a ressecar o ar, reduzindo a eficácia do muco nasal, que normalmente aprisiona os vírus e impede sua entrada no trato respiratório.
Além disso, a menor exposição à luz solar reduz a produção de vitamina D, um nutriente importante para a regulação do sistema imunológico, o que também torna o organismo mais suscetível a infecções respiratórias.
"Resumindo, o clima frio e as doenças estão relacionados, mas não da maneira que muitas pessoas acreditam", afirma Mohammed, enfatizando que "as baixas temperaturas por si só não causam infecções".
Compreender essa diferença permite o desenvolvimento de estratégias de prevenção mais eficazes — como melhorar a ventilação de espaços fechados e cultivar hábitos que preservem a imunidade corporal — tratando o frio mais precisamente como um "amplificador de riscos" que ainda estão presentes em outros períodos do ano.
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