O presidente dos EUA, Donald Trump, gabou-se nesta quarta-feira (21) do equipamento militar usado pelo exército norte-americano para bombardear a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, juntamente com sua esposa, Cilia Flores.
"Há duas semanas, vocês viram armas das quais ninguém tinha ouvido falar. Eles não conseguiram disparar um único tiro contra nós", afirmou Trump durante seu discurso no Fórum Econômico de Davos, na Suíça.
O presidente dos Estados Unidos gabou-se dessa forma da violação da soberania territorial da Venezuela e da captura de um presidente em exercício, o que provocou fortes críticas contra os EUA pelas suas múltiplas violações do direito internacional.
Segundo o presidente americano, o ataque pegou os militares do país sul-americano de surpresa: "Eles diziam: 'O que aconteceu?'. Tudo estava em completa desordem", disse Trump.
O líder norte-americano reiterou que a agressão contra a Venezuela foi "cirúrgica" em uma tentativa de silenciar as críticas dentro dos EUA por não ter notificado o Congresso sobre uma operação militar de tal magnitude. Contudo, as autoridades venezuelanas sofreram pelo menos 100 baixas segundo números preliminares, entre civis e militares.
Entre as vítimas estavam 32 militares cubanos que faziam parte da segurança que protegia o presidente e sua esposa, conforme acordos firmados entre Caracas e Havana. Os militares mortos foram repatriados e homenageados na semana passada na ilha caribenha, onde o presidente Miguel Díaz-Canel os classificou como heróis. "Sabíamos que eles se comportariam como titãs até sua última batalha", afirmou.
Agressão contra a Venezuela e sequestro de Maduro
- Os EUA lançaram um ataque militar massivo em território venezuelano no dia 3 de janeiro. A operação terminou com o sequestro de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York.
- Caracas classificou as ações de Washington como uma "gravíssima agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
- Maduro se declarou inocente em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo. Flores procedeu da mesma forma.
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse no dia 5 de janeiro como presidente encarregada do país sul-americano
- Diversas lideranças da comunidade internacional, dentre elas as da Rússia e da China, urgiram as autoridades americanas a libertar Maduro e sua esposa.
- O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa. "Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela", declarou Lavrov.